29 de jun de 2011

* Mulheres da floresta


Imagem: Comadrona hands, de Rebecca Plummer Rohloff


Por Patrícia Schleumer
Uma mulher de longos cabelos negros acompanha a filha que acaba de menstruar até a beira do rio para um ritual de passagem. São índias da etnia Arara Shawãdawa, uma aldeia situada nas entranhas da Floresta Amazônica, no Acre. Em sua primeira menstruação, as jovens aprendem que devem devolver esse sangue para a Terra e para a água, a fim de reverenciar a sintonia dos seus ciclos com a natureza. Diz a sabedoria da floresta que, dessa forma, elas ficam protegidas de cólicas e garantem um bom parto.As índias usam um pano – como os absorventes ecológicos ainda pouco usados pelas mulheres da cidade – e durante os seus ciclos lavam o pano no rio: “A índia primeiro oferece o sangue para a Terra e depois devolve o resto para a água, onde ela lava o pano e guarda para usar sempre que menstruar. Meu avô, que foi pajé, falava que a mulher não pode usar nada a não ser um pano limpo, de algodão, para ser saudável e não pegar uma inflamação ou uma doença no útero”, explica dona Francisca das Chagas, parteira, com experiência em mais de mil partos naturais na sua aldeia e em vários locais do Brasil. Dona Francisca é uma das representantes brasileiras que participa das atividades do Conselho Internacional das Treze Avós Indígenas, organizado pela ONU, que reúne anciãs de várias etnias indígenas para trocar experiências e preservar as tradições de seus povos. Elas se declaram representantes de uma aliança de prece, educação e cura para a Mãe Terra, para todos seus habitantes e para as próximas sete gerações. Dona Francisquinha, como é mais conhecida, mãe de 12 filhos e avó de 13 netos, também nasceu em uma família grande, com doze irmãos: – O mais velho foi o Manuel, depois veio a Nair, depois a Nedina, depois o Francisco, depois o Nalésio, o Raimundo, aí veio a …” Ela para para lembrar e percebemos, rindo, que finalmente era ela: a Francisca, nascida pelas mãos da tia da mãe e do próprio pai que era parteiro e pajé. O pajé é o conselheiro e o curandeiro da aldeia. Ele aprende com o pai, que aprendeu com o avô etc., seguindo uma tradição oral que passa ensinamentos como a medicina da floresta, de geração em geração. Com um tom de voz calmo e olhar sereno, sem a pressa que costumamos ter nas grandes cidades, ela explica: – O pajé sabe tudo, das coisas da matéria e, principalmente, do espírito. Ele conversa e fala o que você precisa ouvir, é muito sábio. A mulher ou filha do pajé também sabe muito. Eu aprendi muito com meu pai e minha mãe, que também era parteira; quando tinha um parto na aldeia, minha mãe dizia que não era bom me levar, porque a cena era muito forte. E meu pai respondia: “Não, ela tem de ir porque ela tem de aprender, ela vai ser parteira, não tem nada forte para minha filha, ela vai aprender tudo.” Desde pequena ouço meu pai dizer: “Minha filha, você deve ter amor por você; se você tem amor por você, você tem amor pela humanidade.” E a profecia do pajé se cumpriu. Além de dona Francisca ter se tornado uma parteira conhecida e requisitada fora dos limites de sua aldeia, ela também se tornou uma das guardiãs da cultura e da sabedoria de seus ancestrais. Vivendo no ritmo da própria natureza Muitas mulheres da cidade procuram dona Francisca para tratamentos de saúde ou para se prepararem para o parto. Seus remédios são feitos com as plantas, raízes, folhas e flores da floresta amazônica. Perguntei o que ela achava sobre a dificuldade que muitas mulheres têm para engravidar ou para parir naturalmente; ela me disse: – As mulheres que vivem na cidade trabalham muito para pagar contas e perdem a tranquilidade e o amor de dentro delas. Elas pensam em ganhar mais dinheiro e o tempo passa; quando param e querem filhos com a idade avançada, fica mais difícil. Diante da simplicidade de sua sabedoria, concluo que o estresse da mulher urbana a desconecta de sua própria natureza e essência feminina, dificultando a possibilidade de uma gravidez e pergunto sobre como é o ritmo de trabalho das índias: – Na aldeia, as índias também trabalham muito na cultura, fazendo remédios, mas elas trabalham vendo o que está acontecendo com os filhos e com elas, com a própria matéria e o espírito porque elas estão pisando na terra, sentindo a Mãe Terra, sentindo a floresta o tempo todo. Elas trabalham muito para plantar, para alimentar os filhos, mas com o sentimento da floresta, com sentimento pela Terra, que significa o amor e a paz.” Quando a lua nova aparece no céu, as índias se enfeitam, pintam o corpo todo e fazem uma roda em volta de uma fogueira para dançar para lua. É uma folia. Elas cantam chamando todas as mulheres da aldeia para a roda, até as pequenas índias, e celebram os ciclos da vida noite adentro. Com a benção das estrelas Se para a maioria das mulheres da cidade todas as informações sobre a gravidez e os preparos para o parto são resolvidos em um consultório médico, para as índias é bem diferente. Na aldeia, elas já crescem assistindo a partos naturais e, logo que engravidam, começam a se preparar para receber seu filho. As massagens com óleos para abrir o quadril começam a partir dos três meses de gravidez; a permanência na postura de cócoras também é praticada desde o início da gestação: “Na aldeia, as mulheres não têm problemas com dilatação ou contração porque lá a mulher se prepara bem antes, logo que engravida ela toma os remédios das plantas da floresta e as parteiras vão ajeitando a criança. Quando chega a hora do trabalho de parto, está tudo certo. As mulheres não têm medo da dor, aprendem a entregar-se a si mesmas, a confiar na natureza e as índias mais velhas explicam desde cedo para as moças como são as contrações e a dilatação”. Quando uma criança nasce na aldeia, as parteiras cortam o cordão umbilical e enterram a placenta encostada em uma árvore para devolvê-la para a floresta e para a Terra. E na hora que o nenê começa a nascer, a parteira faz uma reza e começa a entoar uma canção para receber a criança. A canção fala da lua, da água, da terra, do fogo e das estrelas e o bebê nasce envolvido em uma benção sagrada que lhe descreve o cenário da sua nova morada.

Fonte: http://materna.uol.com.br/reportagem-especial/mulheres-da-floresta/#.TfDuw59kuq0;facebook

De onde tirei: Parto no Brasil

8 de jun de 2011

Entrevista com a parteira Ina May Gaskin



©2008 Jada Shapiro - Orgasmic Birth

É grande, mas vale cada sílaba:

"Descobrimos que as coisas fluem mais facilmente no parto se a mãe consegue rir. É meio engraçado, sabe, a bolsa de água se rompe em locais e momentos inconvenientes. A pessoa tem que relaxar um pouco e pensar "ok, parir é assim". Entenda que não havia TV naquela época, como hoje, em que se pode assistir a um parto a qualquer hora do dia ou da noite, onde geralmente você vê uma peridural ou cesárea, mas você não verá o bebê realmente saindo porque eles embaçam a imagem, não é? É difícil ver a parte mais interessante, desculpa, censurado, não podemos dizer, porque o bebê está saindo de um lugar tão socialmente destruído que não se pode ver. Então, mostram uma incisão porque é aceitável ver o corte, o sangue espirrando, as mãos cavucando para tirar o bebê, mas não podemos ver um bebê nascendo naturalmente. Acredito que, se as pessoas pudessem ver o que nós parteiras vemos o tempo todo, as mulheres não teriam tanto medo, porque na verdade é algo muitas vezes bonito.


Você também pode observar algo que jamais verá nos livros médicos: a expressão no rosto da mulher pode dizer se ela tem ou não uma laceração, vocês já ouviram falar disso? Eu aprendi isso observando os primeiros 50 partos, porque tive o privilégio de estar com pessoas que não ficaram aborrecidas comigo ou sentiram-se invadidas se eu realmente as observasse no momento do parto. E claro que pude fazer isso porque, se a mulher tem um bebê dentro de um ônibus escolar, não importa se no meio do inverno ou num verão muito quente, ela ficará nua, começará a tirar a roupa uma vez que, quando você está parindo, é uma sensação horrível ter tecido encostando na sua pele, a não ser que você esteja num lugar congelante, o que não era o caso. Então, eu podia ver o que estava acontecendo, podia observar a mulher inteira e aprendi que muito está relacionado com o humor dela e outras coisas que não estão em livro algum.

Por exemplo, houve uma mulher que era uma amiga e que estava tendo seu primeiro filho. Ela foi a minha quadragésima segunda e mais da metade delas era de primíparas, como ela. Então, ela entrou em trabalho de parto e chegou a 8 cm relativamente rápido e pensei "que ótimo, vou ver este bebê nascendo antes da minha viagem à tarde" e depois as coisas passaram a caminhar mais devagar. Nós tínhamos estado rindo, brincando, divertindo-nos, porque quando a mulher está tendo dores, contrações, o que eu chamava "rushes", já que não gostava muito dessas palavras, uma vez que nem todo o mundo tinha dor ou sensações que elas chamariam de "dor. Eu não tive. Você também não? (perguntando a alguém da produção). Eu gostei! Então o que você faz? Algumas mulheres dizem "é a pior coisa que já senti na vida" e outras pessoas falam "isso não é ruim, é até excitante". Tínhamos os dois tipos e também algumas que nem sabiam o que estava acontecendo, nem imaginavam que estavam em trabalho de parto.



Neste caso particular, lá estava essa mulher e subitamente o ambiente ficou silencioso e me perguntei se o bebê iria nascer. Perguntei se poderia checar a dilatação novamente e ela concordou, então examinei e ela estava somente com 4 cm! Ela não fez nada que eu tivesse visto que pudesse mudar as coisas, nunca soube que alguém podia "desdilatar" o cérvix, nunca li isso num livro e àquela altura, eu já havia lido muitos livros médicos. Eu disse a ela "sei que seu cérvix pode abrir, porque já abriu. Tenho certeza absoluta de que você estava com 8 cm, mas observei que você não está mais rindo das nossas piadas bobas e é a única diferença que posso notar no seu comportamento. Então por que você não começa a rir de novo para ver se isso vai consertar as coisas?". 


Ela também tossia e eu já tinha reparado em como era a tosse dela antes e agora, quando ela tossia era bem fraquinha, como se estivesse fazendo um esforço para não ativar algo mais profundo. Aí ela começou a rir novamente e adivinhe: teve o bebê. Aprendi com isso algo muito importante: o trabalho de parto pode regredir em mulheres. Eu meio que sabia que isso poderia acontecer com animais porque lembro da minha tia contando casos. Aqui, se as crianças queriam ver o nascimento de um potrinho, era a única ocasião em que permitíamos que tomassem refrigerante, porque assim ingeriam cafeína e ficavam acordados a noite toda. Quando iam dormir, a égua dava a luz. É assim, as mamíferas não querem ser observadas, o cérebro não gosta de ser observado quando estamos permitindo que algo grande saia do nosso corpo. É por isso que banheiros públicos costumam oferecer privacidade em cada vaso sanitário.

Então fui para a cama cheia de livros médicos para ver se não os tinha lido cuidadosamente. Fui a uma biblioteca médica para ver se isso havia sido publicado e não havia nada a respeito. Finalmente, fui falar pessoalmente com um monte de enfermeiras e parteiras e todas as que tinham alguma experiência estavam familiares com o fato de que, algumas vezes, examinam a paciente, anotam no prontuário uma dilatação X e depois quando reexaminam descobrem que a dilatação diminuiu. Perguntei se elas não escreviam isso e a resposta foi "os médicos sempre dizem que cometemos um erro, que fizemos o toque errado da primeira vez". Os médicos com quem conversei também não sabiam a respeito disso. Pensei "se isso acontece, por que não está registrado em livros?

Descobri que os médicos não sabiam disso porque eles não checam a dilatação com tanta freqüência quanto as enfermeiras e, quando eles viam alguma anotação neste sentido, deduziam que havia sido uma falha da enfermagem. Assim, claro que não será registrado em livro algum, já que enfermeiras não podem colocar num livro algo que vá contra o que dizem os médicos, porque eles ganham mais. Entenderam? É assim que informação importante é deixada de fora dos livros. Eu penso que isso é muito importante.


Veja o que foi preciso para consertar esta situação: ao invés de dizer que a moça teve um padrão disfuncional de trabalho de parto, eu pensei "hum... o cérvix já estava dilatado antes, como o comportamento dela difere do que era quando havia maior dilatação? Ela estava rindo e contando piada, isso a fez dilatar e depois ela teve medo porque começou a sentir que seria a maior liberação de fezes da vida dela (é assim que a mulher se sente no período expulsivo: como se fosse evacuar uma melancia). E o que fazer? Aliviar o medo e aí ela abre novamente.

Há uma outra situação levemente similar. Assisti a um casal, quando ainda estávamos na caravana, que era brilhante. Sabe o que faziam para aliviar a dor das contrações? Beijavam-se. E isso a fazia sentir bem relaxada, como se pode imaginar. Pensei "que criativo! Como não pensei nisso antes?" E eles pareciam bem, como se não estivessem preocupados com nada, que é exatamente o que se deseja. Dois anos depois, estávamos aqui com uma mulher que já havia tido 2 bebês anteriormente e que estava muito amedrontada. Era uma mulher bem pequena, assim como o marido. Ambos pareciam secos, frágeis, apavorados, com pupilas muito pequenas, aterrorizados. Pensei "este bebê nascerá de qualquer forma, isso não está impedindo o trabalho de parto, mas ela vai lacerar", porque ela estava rígida de pavor.

Aí lembrei do outro casal e disse (esperei até que ela não estivesse tendo uma contração): "Linda, eu tive uma idéia. Por que você não tenta beijar o Richard durante a próxima contração? Vamos ver o que acontece." A esta altura, ela provavelmente teria feito qualquer coisa que eu sugerisse, menos entrar no carro e ir ao hospital, porque seria uma viagem bem desconfortável na estrada de terra e ninguém queria isso.

Então ela fechou os olhos, colocou os lábios bem juntos, ele fez o mesmo e simplesmente encostaram os lábios um no outro. Pensei "minha nossa, eles não sabem como beijar". Mas, claro, a regra é não criticar uma mulher em trabalho de parto, porque é a pior coisa que se pode fazer. Então, esperei até acabar a contração, ela abrir os olhos e estar pronta para receber mais informação e sugeri que tentassem de novo, desta vez, "Linda, com a boca aberta". Não me importava o que Richard faria, só queria que ela abrisse a boca porque já tinha reparado que quando a mulher dá a luz de boca aberta, com a mandíbula relaxada, a probabilidade de laceração no períneo é muito menor e a maioria das mulheres não tinha laceração, então eu nem tinha aprendido a dar pontos ainda.

Ela fez isso e adivinhe: o bebê estava no períneo, um bebê maior do que os outros que ela já tinha tido e o períneo estava intacto. Vinte e cinco anos depois ela escreveu uma estória para mim e disse que o casamento havia tido problemas, a vida sexual era morna, embora houvesse amor entre eles e ela disse que aquele parto consertou tudo no casamento por causa do beijo.
Ela diz que agora recomenda às filhas, que estão tendo bebês "não esqueçam de beijar". Se estão no hospital, as pessoas vão sentir-se envergonhadas fazendo isso, mas eu digo que é mágico porque se um casal se beija no hospital, pode até aborrecer algumas enfermeiras, mas o que acontece é que as chatas vão embora, incapazes de suportar e aparecem as simpáticas. Se o casal está junto há tempo suficiente para ter um filho, tenho certeza de que a lei permite o beijo. Pode deixar as pessoas desconfortáveis, mas quem se importa? Se ajuda a parir seu filho e salvar pontos no períneo, pode ser uma coisa muito boa.

Nós não sabíamos muito a respeito de hormônios nos anos 70, exceto pelo fato de conhecermos os processos, sem saber que hormônios estavam envolvidos. Trabalhei empiricamente, em coisas que sabia serem verdadeiras através de experiências pessoais e pelo que podia observar.

Sabia, depois de ter amamentado meu primeiro bebê que havia relação entre estímulo no mamilo e contração uterina. Sabia disso e não precisava saber que havia ocitocina sendo produzida. Agora se sabe que a glândula ptuitária produz ocitocina, numa forma melhor e mais segura do que aquela que vem do vidrinho, que não é derivada de humanos. Seria muito difícil estimular a produção excessiva de ocitocina, porque para fazer isso, haveria dor. Você não estimularia o mamilo a ponto de produzir tanta ocitocina e levar a uma ruptura uterina, o que pode ocorrer quando ela é obtida por injeção ou infusão intravenosa. Por isso é que é necessário regular a dose de ocitocina cuidadosamente e pessoas diferentes têm tolerância diferente.

Então, se quisermos estimular um trabalho de parto, podemos usar estimulação dos seios, claro. Sabíamos disso e também que, se quiséssemos a contração do útero após o parto, a melhor coisa é ter o bebê nos braços, perto do seio, estando ele sugando ou não. A simples presença do bebê ao seio estimula a produção de ocitocina. Isso economiza nos custos, é de graça, obtido da fábrica química materna.

O que não sabíamos é que nosso corpo produz opiáceos. Você sabia disso? Endorfinas. Especialistas em medicina esportiva sabem bem disso: se há um atleta machucado que está em campo, está jogando bem e ficando empolgado com isso, é preciso que haja alguém observando cuidadosamente de fora se aquela pessoa não está se machucando sem perceber. Contagiado pela excitação do jogo, é possível sofrer uma contusão sem notar. Aprendemos a usar a endorfina a nosso favor, o que pode ser feito através da risada, expressões de amor, porque ocitocina e endorfinas trabalham bem juntos. Ocitocina e catecolaminas (adrenalina) são antagonistas e é este que vai atravancar o parto.

Agora chegamos ao que eu chamo de a trava do esfíncter, algo nunca falado por aqui, mas eu te digo que se você viajar ao redor do país num ônibus escolar, você precisa ter seu próprio vaso com você, especialmente se tem filhos pequenos. Imagina se a cada vez que alguém precisa urinar, você vai parar a caravana toda? Acho que não. Então você está fora de casa e diariamente tem que lidar com as excreções do dia. Você acaba ficando mais familiarizado com o processo excretório do que morando numa casa onde há banheiro do lado de dentro. Você não sabe tanto a respeito de fezes comparado com alguém que não foi criado desta mesma maneira.

O que então é que possibilitava as mulheres a dar a luz e todas as parteiras serem o tipo de pessoas que permitem tal processo? Porque há pessoas que são tão tensas que um bebê não consegue nascer na presença delas, sabia disso? Há pessoas que, se entrarem no quarto, todas as mulheres em trabalho de parto travarão. Por quê? Porque elas não sentem bem, mas de uma forma tão forte que praticamente nenhuma mulher consegue ficar em trabalho de perto na presença delas.

Trouxe uma mulher certa vez a um hospital e o médico, que era totalmente contrário ao parto domiciliar, praticamente a estuprou com os dedos, fazendo um toque vaginal e levou-a de 7 cm (eu havia checado) para 4 cm de dilatação, porque ele foi tão bruto com ela. Entre estupro e o ato prazeroso de fazer amor, não há diferença no tamanho do órgão envolvido. Não tem nada a ver com tamanho, mas com a ferocidade no ato.
Então, um exame vaginal delicado não parará um trabalho de parto, pode até encorajar, por outro lado, um exame bruto e ruim, por exemplo se é uma mulher fazendo o toque, tentando provar que ela não é lésbica, isso seria suficiente. Almeja-se gentileza.

Pensei em como explicar isso e lembrei "esfíncter". Sabemos que temos o esfíncter anal e o esfíncter vesical. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Ele age como um. O que é um esfíncter? Uma abertura de um órgão que tem capacidade de contração e de encher-se com alguma coisa e aí ele se contrai e aquele esfíncter que se mantém fechado sem se exaurir, porque é parte do sistema muscular involuntário, pode abrir-se e obliterar-se, o que está no órgão sai e depois ele se fecha novamente. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Não sei o porquê, mas é um músculo circular, que não obedece a mais comandos que a bexiga ou o reto.

Você não pode dizer a alguém "quero que você evacue exatamente às 09:00 e, se não conseguir, estará em maus lençóis." Isso ajuda? Acho que não! Freud reclamou disso, ele achava que as crianças estavam com problemas se não evacuassem precisamente na hora certa. Mas eu digo que, se ele tomasse conta daquelas crianças todos os dias, elas teriam-no ensinado uma coisa e ele relaxaria, se tivesse tomado conta dos próprios filhos. Porque o que as crianças normalmente fazem aos 2 anos (qualquer pessoa que já teve filhos pode me corrigir): elas ficam quietinhas num canto, com as costas viradas para você e aí sim é a hora de sentá-los no penico e fazer disso uma experiência prazerosa para elas. Se elas não se divertem lá, aquele esfíncter ficará mais "tímido". Esfíncteres são tímidos, isso é importante. E eles não obedecem a ordens. Se seu dono está assustado, humilhado, eles travam-se , rapidamente.

Tenho que agredecer ao meu marido por me dizer coisas que eu não saberia se não fosse por ele. Segundo ele, se há um bando de homens num banheiro público, todos lado a lado de frente para os urinóis, de forma que um possa ver o outro e todos estão urinando, quando de repente alguma coisa chega e os assusta, eles todos param involuntariamente. Não é interessante? Esfíncter travado. Ninguém nunca disse que isso é errado. Eu poderia! Dr. Wynne, que é o médico de quem falei, que retirou o bebê prematuro, estava certa vez em Washington, DC, num banheiro público num congresso. Todos estavam urinando quando de repente entram vários policiais do serviço secreto e, no meio deles, Henry Kissinger e aí: todos pararam.

Estamos falando de gotas de urina, então não deveríamos nos surpreender quando, no trabalho de parto, a cabeça de um bebê de 9 ou 10 libras pára de descer. Esta é uma forma de proteção da natureza porque a mãe tem todo o seu equipamento sensório bem aguçado na hora do parto. O olfato, a audição, a visão, é tudo mais aguçado que o normal e isso é para que ela sabia onde encontrar um lugar seguro para dar a luz, já que ela estará temporariamente incapacitada de levantar e sair dali, enquanto o bebê estiver saindo pelo canal de parto. É por isso que às vezes ela progride ao ponto de a cabeça do bebê já estar visível e, se há perigo, na maioria das vezes com os mamíferos (já houve tempos em que não tínhamos armas nem paredes à nossa volta nos protegendo dos predadores), há parada de progressão.
Nós podemos repetir para convencer a mente de que o hospital é um lugar seguro, mas pode ser que o animal dentro de você não perceba da mesma maneira. Talvez o cheiro não seja adequado, o som de alguém chorando no quarto ao lado incomode e pronto: isso é suficiente para reverter seu trabalho de parto. E pode acontecer até no caminho, indo para o hospital ou com a primeira picada da agulha no braço. O fato de algumas pessoas tolerarem isso e permanecerem em trabalho de parto não significa que todas consigam. É isso que chamo de trava do esfíncter. Basicamente, se você não consegue evacuar com um bando de gente olhando, pode ser difícil ter um filho neste tipo de ambiente. Então, superamos isso em hospitais com peridurais e infusões de ocitocina, né? Mas isso não significa que seu corpo está relaxado e aceitando tudo como se estivesse numa situação em que a mãe se sente segura, como no seu próprio quarto, em casa."

Tradução de Flávia Mandic, recebi por e-mail, não sei onde foi publicado. Mas os vídeos estão disponíveis no youtube no link abaixo, em inglês.


6 de jun de 2011

* Parir e gozar



Relação entre maternidade e sexualidade


Prepare-se para quebrar o paradigma de que parir é sofrer. Pela primeira vez numa revista feminina brasileira, a relação entre maternidade e sexualidade – sem tabus

Kalu Brum tem 29 anos e é mãe de Miguel, nascido há dois de forma natural. Ninguém melhor do que ela para descrever o parto: “Lembro da sensação quente, do escorregar daquele pequeno corpo pelas minhas entranhas. Eu estava ali, nua, fêmea, selvagem, desfrutando do prazer mais intenso que já vivi. Um longo orgasmo selou sua passagem para esta vida, quebrando com o paradigma de que nascer é sofrer”.
Gozar no parto, como assim? Qualquer menina com mais de 15 anos sabe a resposta sobre “a pior dor que existe”: “A do parto, claro!”. Mas, para as mulheres que passaram por uma experiência de parto natural, há uma opinião unânime: é possível sentir as contrações com prazer. Isso porque a mulher, assim como cada fêmea do reino animal, possui um sistema reprodutivo perfeitamente organizado para a manutenção da espécie, garantindo que gestar e parir sejam experiências seguras – e até prazerosas. Num parto normal, livre de intervenções médicas, o organismo se encarrega de produzir os próprios analgésicos. Tudo bem, isso você já sabe, já viu no Discovery Home and Health, já leu no blog de uma amiga natureba. Provavelmente, porém, você desconhece mulheres que relatam verdadeiros orgasmos durante o parto. “É lógico que a mulher pode ter uma experiência prazerosa e estimulante ao parir. Nem todo parto resulta num orgasmo, mas se tudo ocorrer de forma equilibrada, e a mulher não fizer uso de analgesia, é perfeitamente possível que ela tenha um momento de grande prazer, principalmente na hora da expulsão do bebê”, afirma Carlos Czeresnia, ginecologista obstetra que acompanha partos há 35 anos e que, entre outras coisas, foi chefe do setor de ginecologia do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas/FMUSP e é especialista em reprodução humana. “Os movimentos de distensão e contração do períneo no momento em que o bebê vai sair são muito semelhantes à sensação do orgasmo. E o cérebro interpreta esses estímulos neurais com respostas de prazer. O parto e o orgasmo percorrem o mesmo caminho neurológico”, completa.


Jato de prazer

O assunto, tratado como tabu por muito tempo, tem vindo à tona em conversas de recém-mães. E também por causa de um documentário que rodou os festivais de cinema do mundo, o Orgasmic Birth (veja box). “O parto é um ato fisiológico e não cirúrgico. Durante o trabalho de parto, o principal hormônio produzido, responsável pelas contrações do útero, é a ocitocina, liberada em situa­ções de prazer. Esse hormônio é produzido em jato, por exemplo, durante o orgasmo feminino e também na amamentação”, esclarece. Adaílton Salvatore, ginecologista obstetra, especialista em homeopatia e acupuntura. Com mais de 1.600 partos no currículo – 65% deles normais – e passagens por maternidades na França, na Alemanha e na Inglaterra, o médico explica que, durante o trabalho de parto, muitas glândulas funcionam ao mesmo tempo e são muitos os hormônios atuantes. Entre eles, estão os opioides endógenos, cuja molécula, semelhante à do ópio, provoca um estado de euforia, alegria, leveza. “Nesse contexto, o parto pode ser visto como um rito de passagem.”


Respira e goza


Para sentir prazer no parto, a mulher não pode ter medo. A sensação de perigo alerta o cérebro, que acaba por produzir mais adrenalina – inibidora da ocitocina –, deixando corpo e mente sob estresse. Mas medidas simples podem ser tomadas para que tudo aconteça de forma equilibrada, permitindo que o sistema límbico, parte mais primitiva do cérebro, produza as substâncias necessárias a essa orquestração hormonal. “Um parto próximo do ideal é aquele em que a mulher pode esquecer a razão, se desligar do funcionamento racional do cérebro, representado pelo neocórtex”, explica a psicanalista Vera Iaconelli, do Instituto Sedes Sapientiae. “A mulher tem direito a relaxar, a não ser interrompida, a ficar em contato com o seu corpo. O trabalho de parto implica um funcionamento muito primitivo, que ocorre em situações excepcionais, como durante o sexo”, compara.

Geralmente expostas a ambientes com luz forte, barulhos, gente entrando e saindo, as parturientes não conseguem relaxar: “Não dá para ter prazer no parto com medo, assim como não dá para ter prazer no sexo se estiver amedrontada. Para ter prazer sexual você precisa de intimidade. Só assim é possível desligar o neocórtex. Sob pressão, ninguém tem prazer”, ressalta Ana Cristina Duarte, doula (profissional que garante o bem-estar da mulher durante o parto) e parteira formada no ano passado na primeira turma do curso superior de obstetrícia da USP, rea­berto em 2005 após 33 anos de extinção.
Sheila Ribeiro, quando pariu sua segunda filha, estava no lugar mais íntimo do mundo, sua casa. Ela já tinha sentido um orgasmo durante a expulsão da primogênita, Thalita. Mas a dilatação ocorreu de maneira tão rápida e indolor no segundo parto que Naiara nasceu de repente, desassistida por médicos e enfermeiras. “De cócoras, tive o maior orgasmo da minha vida, com aquela sensação que partiu da vagina e percorreu meu corpo inteiro, da ponta do dedão ao último fio de cabelo”, confessa. A advogada, hoje com 49 anos, atribui a “maravilhosa experiência” ao seu estilo de vida saudável, à prática de exercícios, ao tratamento homeopático. Sua teoria encontra respaldo na maneira como pensa – e trata as pacientes – o doutor Adaílton. Para ele, o primitivo está completamente esquecido hoje, afinal, vivemos na era da razão. “Pensamos: ‘Para que caminhar, se posso ficar em casa e produzir algo?’. A atividade física perdeu para a intelectual. Nesse clima competitivo, a mulher vive sob adrenalina, fabricando mais testosterona”, afirma o médico, que argumenta que o sistema imunológico de muitas mulheres está desvitalizado. Atribui isso ao estilo de vida da maioria da população, que come alimentos refinados, pobres em oligoelementos (microminerais fundamentais para a formação de enzimas vitais). “Tudo isso altera nossa fisiologia. O trabalho de parto é uma maratona, o organismo precisa estar bem. Ouça os gritos de uma mulher durante o parto: são guturais. Urros instintivos que emergem da parte mais primitiva de seu cérebro.”


Armadilha


Debra Pascali-Bonaro, doula há 26 anos, mãe de três filhos de parto natural, conhece essa história: “O parto possibilita uma nova perspectiva de si mesma. As mulheres que têm um parto prazeroso sentem-se confiantes, conscientes de seus poderes. Temos que questionar o sistema que medicalizou o parto, pois muitas mulheres perdem a oportunidade, profundamente transformadora, que pode ser dar à luz”, diz a americana, autora do documentário Orgasmic Birth.
Assim como Debra, as 15 mulheres ouvidas para esta reportagem concordam que, muitas vezes, os esquemas dos médicos acabam impedindo que a mulher experimente esse prazer. Ao mesmo tempo, elas constatam que isso também pode virar uma armadilha. Além de “ter que” ser linda, superprofissional, boa mãe, ter parto normal, só faltava a mulher “ter que” sentir prazer ao parir: “A ideia é resgatar a naturalidade do parto e, assim, também a sexualidade inerente a ele. Mas idealizá-lo pode gerar frustração”, destaca Vera, seguida por Ana Cris, a doula: “É perigoso colocar o orgasmo como um objetivo”. Entenda-se: para permitir que o menor diâmetro da cabeça se molde para atravessar a pelve materna, o bebê costuma se virar em algum momento. “Ao passar pelo canal de parto (vagina), ele apoia a parte de trás da cabeça, o cocuruto, bem onde está o clitóris, para fazer um movimento rotativo e poder sair. Esse apoio se dá em uma região repleta de receptores de prazer. Além disso, a cabeça do bebê funciona como um rolo compressor, relaxando e tonificando os músculos da pelve”, explica o doutor Adaílton.
Professora da técnica corporal Alexander, Ana Thomaz, 42 anos, gargalhava durante as contrações: “Eu não acreditava que estava tendo um parto orgásmico! Já tinha ouvido falar nisso, mas não nutri nenhuma expectativa nesse sentido”, conta. Talvez tenha sido justamente essa falta de expectativa que a tenha levado a um parto prazeroso. “A gestante precisa buscar informações além dos consultórios. Muitos médicos desestimulam o desejo de um parto normal, então é melhor encontrar um profissional que abra o maior leque de possibilidades”, aconselha a psicanalista Vera.
Tão imprevisível quanto o prazer ao amamentar, capítulo seguinte ao parto, quando muitas mulheres se assustam ou se envergonham da sensação prazerosa que têm ao dar de mamar. “Por que a natureza colocou receptores de prazer no mamilo? A mama é para o filhote e a mulher deve, sim, sentir prazer. Todos esses hormônios que ela produz, a endorfina, a ocitocina, vão para o leite do bebê”, afirma Ana Cris, antes de concluir: “Mas a amamentação é politicamente correta, cena plácida, que recebe campanhas de incentivo. Mas prazer no parto? Como assim, é louca?”.


SEGREDO BEM GUARDADO


Após trabalhar por mais de duas décadas assistindo partos, a doula e educadora perinatal Debra Pascali-Bonaro percebeu que a mídia norte-americana tratava o nascimento como uma questão de emergência médica. “Por que ninguém falava sobre a natureza sensual do parto, do êxtase que ele pode proporcionar?” Começou, então, a falar do assunto para pequenos grupos de gestantes. Mas não estava satisfeita, queria contar para um grande número de pessoas. E foi dormindo que Debra teve o insight. “Tive um sonho com o filme e, quando acordei, tinha encontrado a fórmula!” Ao registrar o aspecto sexual do nascimento através da história de 11 casais que optaram pelo parto normal, o filme, intitulado Orgasmic Birth, causou comoção no circuito mundial de festivais quando foi lançado, em 2007. Foi exibido, inclusive, durante o Festival do Rio 2008. “Já rodou em 31 países. Não tinha ideia de que este seria um assunto de tanto interesse no mundo todo”, diz Debra. “Acho fundamental que os casais grávidos ouçam histórias de quem teve um parto prazeroso. Ao assistir ao filme, uma nova perspectiva se abre a quem espera uma criança. Brinco que o documentário revela um segredo bem guardado. Afinal, se a mulher não conhece suas opções, então ela não tem nenhuma.” 


“SENTIA QUE TINHA VIRADO BICHO”

POR DANIELA BUONO*

“Passei dias trabalhando na edição de um vídeo que quase me enlouqueceu. No dia da entrega, fui ao banheiro e, de repente, chuáááá: ‘Caraca, a bolsa estourou!’. Fiquei aflita e chamei o editor. ‘Fala sério, Dani! Não tenho a menor ideia do que fazer numa hora dessas.’ Nem eu tinha. Fiquei lá mais um pouco, sentada, retomando as lições aprendidas nos últimos meses. Estava com 36 semanas e três dias, o que significava que minha bebê ainda estava prematura. O que seria do meu sonho de ter um parto natural? ‘80% a 90% de chance de ser um parto normal’, disse o médico. ‘Mas precisamos que você entre em TP (trabalho de parto) nas próximas 24horas’, completou. Flávio me pegou e fomos para a maternidade. Tomei um banho e me sentia tão feliz... Parecia que estava me preparando para casar. Tinha certeza de que daria tudo certo!

A doula me aconselhou a relaxar porque a adrenalina podia atrapalhar a ação da ocitocina, o hormônio que eu precisava produzir para começar o TP. As contrações já estavam fortes, mas suportáveis. Senti um imenso prazer por perceber que a hora estava chegando. Sentia dor, mas também prazer e muita emoção. A cada contração, uma força maior me atravessava. E essa força ia, pouco a pouco, me conectando a todas as minhas ancestrais, como se elas estivessem me contando um segredo. Procurava toda hora os olhos do Flávio, como se precisasse passar um pouco daquela energia pra ele.
Aí a dor aumentou muito e eu já não achava posição. Os gemidos aumentaram, eu estava começando a temer aquela dor. Parecia mais forte do que eu. Fui para o chuveiro e algo sobrenatural aconteceu: sentia que tinha virado bicho. Não havia mais razão, eu era puro instinto! Estava concentradíssima em me deixar abrir para o neném passar. Finalmente, dilatação total. Numa determinada contração, senti o tal anel de fogo, a bebê passando pela vagina. Fiz o dobro de força. Dei um grito e senti um enorme alívio: passou cabeça e corpo de uma vez. ‘Nasceu, Dâ! Nasceu a Maria Clara, meu amor!’, disse o Flávio, superemocionado. Na hora em que ela saiu, ele começou a gemer de êxtase...”


* Daniela Buono, 35 anos, é jornalista, roteirista e diretora de vídeo.

Além de Maria Clara, de 4 anos, é mãe de Bebel, de 1.



Texto por Fernanda Danelon 
Fotos Roberta Dabdab 
Ilustração Milena Galli e Rafaela Ranzani


ORGASMIC BIRTH


3 de jun de 2011

* BLOGAGEM COLETIVA: EU DIGO BASTA!!



Mães da blogosfera, é hora de nos unirmos novamente!

Vamos recapitular os acontecimentos:

Começo de Maio: O Itaú Cultural proibiu uma mãe de amamentar em público
(Infelizmente, assim como tem acontecido no exterior, essa moda de proibir mulheres de amamentarem em público chegou aqui)

12/maio: Cerca de 50 mães se juntaram e promoveram o Mamaço Cultural, dessa vez com total apoio do Itau Cultural. (aqui)
(jogada de marketing ou não, teve apoio e cobertura da mídia) 

Nessa mesma semana: Ocorria o Mamaço Virtual no Facebook, aonde mães trocaram seus avatares por fotos amamentando. 
(Dessa vez contra a censura do Facebook que vetou uma foto da jornalista Kalu Brun aonde ela amamentava seu filho)   
Clipping super completo sobre o mamaço via Mamiferas (aqui) 

16/maio: A Folha de SP publica um artigo de um acéfalo sem noção que compara amamentação com masturbação. (aqui)

Vejam alguns trechos e revoltem-se:
Aliás, a única coisa a lamentar é as organizadoras do "mamaço" não irem um pouco mais longe, exigindo a aceitação geral dos nossos gestos mais naturais e íntimos, que só mentes profundamente reacionárias podem considerar impróprias para consumo geral.
A masturbação é um caso: séculos de preconceitos religiosos e culturais inculcaram a ideia tenebrosa de que a masturbação é um erro, um crime, um pecado.
Fim de maio: Um Mamaço Nacional começa a ser organizado, e ocorrerá dia 05/junho em SP, MG, PE, SC, PR e DF "O ato tem como objetivo defender o direito da mãe que amamenta/alimenta seu filho em público" (mais sobre o Mamaço Nacional aqui)

30/maio: Uma mãe escreve ao CQC pedindo para que eles usem sua audiência para divulgar o Mamaço Nacional.

Ao invés de ajudarem, ou mesmo ignorarem o email dessa mãe, eles leram e debocharam ao vivo em rede nacional não só do evento, mas do ato de amamentar em público. Não deixe de ver e se revoltar aqui

Algumas pérolas deste video, tiradas do post genial do blog Escreva Lola Escreva:

“Por que cargas d'água tem aquela mãe que enfia a teta nas caras das pessoas na rua, véio? Mano, vai prum banheiro, c*ralho, porque a gente olha, não tem como.”

“Não precisa tirar aquele mamilo, que mais parece uma, que parece um rocambole."

"Amamentar é um pretexto, porque no fundo o que a mulher quer mesmo é mostrar os seios."

“É que quem quer mostrar a teta é quem não deveria querer mostrar. Nunca é aquela gostosa. Geralmente é aquela mãe com aquelas buchibas”. E os três machos lamentam que nunca viram a Giselle Bundchen amamentar, apenas aquela mulher “que não precisa de um sutiã, precisa de joelheira”. 

Depois desse absurdo, a Lola escreveu o post linkado acima, criticando as opiniões e atitudes dos apresentadores. E eis que ela foi ameaçada de sofrer um processo caso não se retrate (veja aqui)

E por tudo isso, acho que é hora de nós, mães blogueiras, formadoras de opinião tomarmos partido!

Temos que usar novamente nosso poder de união contra manifestações que nos tratam como objetos de desejo constante, que ridicularizam nossas manifestações e que partem de homens querendo controlar atos que não lhes dizem respeito.

Eu não amamentei em público, porque eu não quis e não me sentia bem fazendo isso, mas ver marmanjos ridicularizando mães e filhos dessa maneira machista me dá ânsia!

Pelo direito de amamentar aonde eu quiser e como eu quiser, pelo direito de nossos filhos não serem forçados a se alimentar em banheiros públicos, pelo direito de não termos nossos corpos ridicularizados em rede nacional, pelo direito de não sermos tratadas como objeto sexual, eu proponho uma blogagem coletiva!





EU DIGO BASTA!!! E VOCÊ? AMAMENTAR NÃO É OBSCENO!!!!

Fonte: Doula Ana Luisa

๖๔΅˚◦.Minha Arte.◦˚΅๖๔