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15 de abr. de 2012

* O Imenso mundo da sexualidade feminina: Sexo, gravidez, parto e amamentação.

Palavras de Elena de Regoyos

Ontem eu passei por e-mail ao meu marido um artigo da cada vez mais querida e admirada parteira, Ana Cristina Duarte, sobre as razões para querer dar à luz. A clareza com que esta mulher escreve é ​​fantástica, ela não tem medo de usar as palavras certas nem de chamar as coisas pelo seu nome, dizendo coisas como:




PORQUE PARIR?????



Se o meu marido me perguntasse isso, eu diria…


Porque esse é o meu último filho e eu preciso experimentar o que o meu corpo pode. Quero sentir meu filho passando através da minha bacia, abrindo meus ossos, fazendo-os quase quebrarem pela força dele dentro de mim. Quero sentir meu filho descendo e encaixando a cabeça nas minhas entranhas, milímetro a milímetro, como se estivéssemos dançando um tango emocionante, em que cada passo fosse totalmente calculado para um resultado perfeito. Quero sentir minhas mucosas cedendo espaço e esquentando a cada contração, quero sentir meu filho saindo pelo mesmo lugar por onde entrou. [...]

Quero sentir meu útero se contraindo com força, porque sou mulher e me sinto muito orgulhosa de poder gerar, gestar, parir e alimentar uma criança. [...] Quero que meu filho sinta cada uma dessas contrações como se fosse um abraço forte que dou nele, como se Deus pessoalmente o estivesse embalando.”

Quando à noite eu perguntei ao meu marido se ele havia lido, ele disse que sim, e acrescentou outro comentário: "vocês falam do parto de uma maneira... como se fosse algo sexual, né?"Como que “como se fosse”? O que quer dizer "como se fosse"? Definitivamente grande parte da sociedade ainda pensa que "vida sexual" se limita a fazer amor / transar, masturbação, sexo oral ... e é isso. Bom, e se houver orgasmo melhor.
Existe alguma coisa mais sexual do que dar à luz a seu próprio filho? Deixá-lo passar pelo seu colo do útero e abraçá-lo com a sua vagina, enquanto uma força incontrolável, regida pelo seu aparelho sexual feminino, lhe empurra para a vida lá de fora? Existe alguma coisa mais sexual do que colocá-lo sobre o seu peito e ver como ele se aproxima dele, o cheira, lambe e se alimenta através dele? Realmente a sociedade é tão "machocentrista", acreditando que se não houver pinto, não há sexo? Por acaso já ouviram falar de partos orgásmicos?

Esse comentário me deu pé para falar ao meu marido -mais uma vez- que a vida sexual feminina é muito mais extensa, complexa e variada do que isso. Que o sexo (entendido como relação sexual) é uma parte maravilhosa da sexualidade das mulheres, mas que também o é gestar um bebê em seu ventre, parí-lo vaginalmente e amamentá-lo. Em todos esses atos estão presentes praticamente os mesmos hormônios, comandadas pela rainha, a oxitocina, o "hormônio do amor", que flui pelo corpo da mulher durante um orgasmo, assim como durante o parto (ela é a que provoca contrações uterinas que fazem o útero se contrair para, finalmente, gerar o reflexo de ejeção que “empurra” ao bebê fora do ventre de sua mãe) e também em cada mamada do bebê no peito da mãe (ela faz com que o leite flua fora do seio quando o bebê suga dele, e consegue que em muitas mulheres isso aconteça em forma de intensos jatos).

A sexualidade de uma mulher passa por momentos distintos ao longo de sua vida. Há momentos de grande desejo sexual, de libido alta e grande atividade, ou pelo menos vontade dela. E há momentos em que a sensação sexual muda, porque o nosso corpo –e a nossa mente- estam em outro momento da sua propria sexualidade, vestidos de outras roupas, sem por isso deixar de ser parte da vida sexual.




Quando uma mulher dá à luz o seu filho está vivendo um dos momentos mais intensos, sem dúvida, sexualmente de toda a sua vida (se não lhes impedem de vivenciá-los plenamente com drogas, estimulantes químicos para o parto, invasões da sua privacidade e analgesias). Incontáveis ​​terminações nervosas são ativadas com a passagem do bebê através das entranhas da mulher, tocando e estimulando pontos muitas vezes impossíveis durante uma “simples penetração”, e de uma intensidade multiplicada por... mil? A descarga hormonal nesse momento é tão intensa que a mulher se sente como em um outro planeta, com praticamente nenhuma consciência espaço-temporal (novamente, se não for impedida de se adentrar nessa outra consciência durante o parto).




Quando uma mulher durante os primeiros meses ou anos de seu filho o nina no seu colo, o amamenta, cheira e toca... Ela também encontra-se numa experiência que faz parte da sexualidade feminina. É uma mãe puérpera que na maioria dos casos não se sente a necessidade de sexo (com parceiros) como antes. A libido está fraca nela, agora ela não precisa desse tipo de sexo, porque sente-se completa em outro sentido, porque ela está vivendo outra face da sua sexualidade, vinculada a sua maternidade.

Seu corpo libera oxitocina cada vez que ela amamenta seu filho, e cada vez quela o sente perto de si, o cheira, o ouve ou mesmo só de pensar nele (a maioria das mães que amamentam sentem como os seus peitos começam jorrar leite quando ouvem um bebê chorar, ou lembram do seu pequeno, o que acontece graças a oxitocina liberada nessa hora).


Como a psicóloga argentina Laura Gutman diz:

"Sabemos que o corpo leva tempo para se reajustar depois da gravidez e do parto... Mas supomos que tudo em breve “voltará ser como antes". A maior surpresa irrompe quando o desejo sexual não aparece como estávamos acostumadas. Nos sentimos culpadas, especialmente quando o obstetra nos dá "permissão" para retomar as relações sexuais para o deleite do nosso parceiro que com cara de satisfação pisca um olho para nós sussurrando "agora você já não tem desculpas."

Mas o corpo não responde. A libido é deslocada para os seios onde a atividade sexual ocorre constantemente, dia e noite. O cansaço é total. As sensações físicas e emocionais tornam-se muito sensíveis e a pele parece um fino vidro que merece ser tocado com extrema delicadeza. [...]
Que nos faz a presença inquestionável da criança?. Que ambos, mulher e homem, nos conectamos com a parte feminina da nossa essência e nossa sexualidade, que é sutil, lenta, sensível, feita para carícias e beijos. É uma sexualidade que não requer penetração, ao contrário, que prefere o tato, a audição, o olfato, o tempo, as palavras gentis, o encontro, a música, o riso, a massagem e os beijos.
Neste ritmo não há risco, pois não fere a alma feminina fusionada. Não há propósito, às vezes nem orgasmos, porque o que importa é o encontro e o amor humano."

Portanto, todos estes são apenas fases da sexualidade feminina, diferentes e complementares entre si, o que faz com que todas elas façam sentido. Não nos limitemos apenas a "relação sexual"... isso é apenas o começo.



-Prohibida la reproducción total o parcial de este artículo sin el consentimento de la autora:

Fonte: Elena de Regoyos

-Doula de puerpério e coach parental

-Consultora de slings e amamentação

http://www.mamaedoula.blogspot.com/

Tlf (Br) +55 19-9391 4134 / Tlf (Esp) +34 696 08 25 21

9 de set. de 2011

* Meu bebê está passando da hora de nascer?



Bebê é igual fruta, só cai do pé quando está madura.

Com o fim da gestação, aparece na maioria das mulheres os incômodos desta fase como: inchaços, insonia, cansaço e dores pelo corpo.
Como se isso não bastasse para deixá-la mais ansiosa, começa a tormenta da pressão familiar.
Todos insistem em perguntar a mesma coisa...Te ligam, vão a sua casa ou até por acaso a encontram na rua e a primeira coisa que querem saber é se marcou a data do parto, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

Não importa se já tenha dito mil vezes que vai esperar pelo tempo do seu bebê, insistentemente eles usam argumentos populares e comprovadamente falsos para te amedrontar.

Como as pérolas citadas abaixo:

1- Seu bebê já está pronto por que esperar mais?
r. Por que o bebê só está pronto mesmo quando o trabalho de parto se inicia, ou seria a natureza imperfeita ao ponto de ter um mecanismo que não funciona completamente?

2- É perigoso ele passar da hora e morrer!
r. Bebê não tem prazo de validade, não passa da hora...Em casos raros eles entram em óbito por uma insuficiência placentária antes do parto (quando a placenta não está fazendo seu papel de sustentar o bebê no útero) ou por alguma malformação congênita (alguma anomalia no organismo do bebê). O que se resolve com um acompanhamento pré-natal efetivo podendo ser constatado previamente salvando a vida do bebê.

3- Por que sentir dor se você pode marcar a cesárea e evitar isso?
r. Pra isso eu só digo uma coisa...Cesárea dói mais que parto vaginal, e a dor do parto é antes de ter um bebê pedindo seus cuidados...Já pensou no que é passar por uma cirurgia dolorosa e ter que dar banho no bebê???

Acontece que a mulher encontra-se fragilizada com seus próprios medos, dúvidas e anseios, e agora fatores externos começam a atormentá-la.
A gestante bem informada, que procurou ajuda e apoio em grupos pró-parto natural, em leituras que embasam a fisiologia da mulher e nos profissionais comprovadamente humanizados, sabe que não tem motivo algum pra temer e que dentro da normalidade (mãe/bebê saudáveis) tudo acontecerá mais cedo ou mais tarde, mesmo que for com mais de 42 semanas.

Porém a gestante que não se importou em buscar informações verdadeiras que a tranquilize diante desses falsos argumentos (da vizinha, da avó, do médico cesarista/intervencionista), se pegam apavoradas com a ideia errônea de que irá perder seu bebê.
Esse estado emocional abalado faz com que queira desesperadamente marcar a data da cirurgia com o doutor, tirando o bebê saudável precocemente do aconchego e segurança do útero materno.
Com a intensão de "salvar" o bebê (que não está correndo risco algum de morte) ela acaba sucumbindo a uma cesariana eletiva ou uma indução seguida de todo tipo de intervenção, e que poderá também acabar em cesariana após ser contatado a não evolução do trabalho de parto por não estar na hora do mesmo.

Para que esses mitos sejam extintos é preciso primeiramente munir as gestantes com a arma mais poderosa que existe, a informação verdadeira e empoderadora.
É inconcebível que nos dias de hoje ainda se dê ouvidos a essas crendices tolas, pior, que elas sirvam de base para se marcar uma cesárea eletiva ou uma indução anterior a 42 semanas* de gestação saudável e bem assistida (por médicos humanizados... ;) ...).

Não tem sentido expor mãe/bebê a uma cirurgia invasiva ou ao uso de hormônios sintéticos.

* Sem que isso seja altamente recomendado devido a fatores convenientes a que a situação pede.

Sendo que na cesárea, mãe/bebê correm riscos altos como em toda cirurgia de grande porte.

Dentre estes riscos estão: Infecções, prematuridade do bebê (podendo lhe causar desconfortos respiratórios e futuras doenças como bronquite, asma, pneumonia entre outras), pós-operatório complicado e doloroso, angustia da separação (devido ao quadro de anestesia e incapacidade de cuidar do bebê nas primeiras horas de sua vida), descida do leite tardia (impedindo ou atrasando a pega do bebê no seio materno e com isso o primeiro contato entre os dois...Ou mesmo aumentando o risco de desmame precoce), depressão pós-parto (apresenta maior frequência em mulheres que fizeram cesárea) devido ao sentimento de impotência e até mesmo estresse por não estar plena física/emocionalmente para cuidar e suprir todas as necessidades do recen-nascido, isso sem falar no risco de óbito que ambos correm.

Já no parto induzido precocemente (sem que o corpo tenha dado sinais de que é chegada a hora, isto é, colo apagado, bolsa rota a mais de 48 horas sem sinais de contrações ou gestação após 42 semanas).
Mãe e bebê sofrem com a exposição da ocitocina sintética (o famoso e dolorido sorinho) e que pode causar: Dor intensa e incontrolável (muito maior que a sentida no parto natural, onde a ocitocina vem do próprio corpo da mulher que a produz sabiamente em doses perfeitas), batimentos cardíacos alterados (mãe/bebê), falta de oxigenação que na maioria dos casos acaba por aumentar a adrenalina (também por estresse da mãe) e que pode resultar em sofrimento fetal (má oxigenação do bebê pelo cordão) e ou liberação precoce de mecônio (1° fezes que na verdade são resíduos contidos no estomago do bebê e acumulados durante os 9 meses) e que irá resultar em cesárea de emergência.

No parto induzido ainda corre-se o risco de não suportar a dor causada pela ocitocina sintética (sorinho) optando por receber anestesia, o que poderá estacionar o trabalho de parto pelo relaxamento do corpo da mãe e pela falta de controle sobre seu corpo e a sensação das contrações. Tendo ainda que se usar de intervenções como romper a bolsa amniótica (expondo o bebê e a mãe a infecções), fazer episiotomia (corte direcionado no períneo) e até mesmo ter de usar o fórceps de alívio ou vácuo-extrator para finalizar o nascimento...E após todo esse sofrimento ainda correr o risco de não dar certo e ter que correr pra uma cesárea de emergência, pois o corpo e o bebê não estavam prontos para parir.

Tudo isso só mostra o quanto a fisiologia do corpo feminino é perfeitamente apta a exercer esse papel de dar a luz da maneira mais bela e agradável, pois respeita o tempo e o corpo de ambos.

No parto natural a mulher se sente segura de seu papel e aceita que tudo acontecerá no tempo certo, sendo bem acompanhada e instruída, a gestação seguirá sem medo até a boa hora chegar.
Quando o corpo/bebê dão sinais de que está realmente na hora, tudo será feito com calma , pois a mulher que se preparou sabe que este processo seguirá lenta e gradual (pródomos/fase latente) até a hora de ir ao hospital na fase ativa do trabalho de parto (com contrações regulares a mais de 1 hora).

E por isso nossa natureza fêmea é tão sábia, pois nos deu a benção e o poder de lidar com as sensações do trabalho de parto com tanta calma que fica totalmente  controlável quando se quer e se entendem os motivos que te levaram a se deixar abrir pra parir um filho...é mágico e renovador!


Todos os bons hormônios (ocitocina para contrair e endorfina para aliviar a dor), que o corpo da mulher produz durante o trabalho de parto são naturais, e por este fator muito mais fácil de lidar.

A mulher que dá a luz a um filho de forma natural estará plena física e emocionalmente, permitirá um inicio de vida saudável e vigoroso  ao bebê e um inicio de vida de mamãe mais tranquilo e seguro.
Proporcionando seu calor e amor desde o primeiro instante de vida, podendo então amamentar seu filhote logo após o nascimento, criando assim um vinculo instantâneo de amor e instinto materno.

Sabendo de todos os males da cesárea eletiva e da indução precoce, por que ainda existem tantas mulheres que aceitam ser submetidas a elas sem ter certeza de que é realmente necessário?

Eu respondo: Falta de informação, pois é claro que quem se informa sabe que o melhor é ter Naturalmente.

Hoje quem quer ter um parto natural no Brasil precisa lutar e muito para conquistá-lo, pois sabemos que o protocolo de hospitais e até casas de parto é o de esperar, mas não muito...Por isso informe-se, empodere-se, leia, pesquise e lute com unhas e dentes pelo seu parto e seus direitos...VOCÊ CONSEGUE!!!!

Agradeço a todas que tiveram a paciência de ler mais um livro meu...rsrs...e peço para que me corrijam se achar qualquer bobeira que eu tenha dito...sou levada pelo coração, pelo instinto...e não muito pela mente.

Aos que forem publicar este texto peço para que coloquem meu link e créditos...Beijos e Bençãos.





13 de ago. de 2011

* Cesariana: indicações e riscos.






Hoje em dia todos sabemos que há mulheres que simplesmente optam por uma cesariana porque têm medo do parto normal, porque querem planejar o dia e a hora do nascimento dos seus filhos, ou simplesmente porque querem ser assistidas pelo médico X, que, como tem uma agenda tão preenchida, só consegue estar presente marcando uma cesariana.
Ora, com a banalização do acesso aos hospitais privados isto tem vindo a ser (cada vez mais) possível, o que levou a que fossem também levantadas questões éticas sobre este tema.

Aquilo que estas mulheres não sabem (porque, na maioria das vezes, os médicos não lhes dizem) é que uma cesariana acarreta sérios riscos, não só para a mulher, como para o seu bebé.
Num caso de perigo de vida, é óbvio que esses riscos serão claramente desvalorizados pois o interesse maior será salvar as vidas envolvidas, mas para uma grávida de "baixo risco",valerá a pena colocar tanta coisa em jogo?

Deixo vocês com alguns fatos para refletirem:

- Em 2005, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), 34,7 por cento dos bebes em Portugal nasceram numa sala de operações.
Um número superior à media europeia, situada nos 27-28 por cento, e substancialmente mais elevado do que a taxa recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) 10 a 15 por cento.

As taxas relativas ao setor privado ultrapassam os 60%.

- A cesariana é uma operação considerada como sendo uma cirurgia de grande porte com contra-indicações comprovadas em estudos reconhecidos internacionalmente pela comunidade científica.

Indicações para Cesariana:
(onde optar pelo parto normal apresentaria sérios riscos de vida)
  • Prolapso do cordão umbilical (o cordão sai pela vagina antes do bebe e a cabeça faz pressão sobre ele, ao ponto de bloquear a passagem do sangue, pelo que o bebe deixa de receber oxigénio)
  • Descolamento da placenta durante o trabalho de parto (produz-se uma hemorragia intensa e o bebe pode deixar de receber oxigéneo se não se actuar com rapidez)
  • Placenta prévia total (quando a placenta está colocada na saída do útero, obstruíndo a passagem ao bebe; é frequente a mãe apresentar hemorragia, que será um sinal de alerta para diagnosticar o problema)
  • Mau posicionamento fetal (quando o bebe está posicionado de uma forma que se torna impossível a sua saída e já não consegue mudar de posição; por exemplo quando se inicia o parto e o bebe esta transversal)
  • A mãe sofre de uma cardiopatia descompensada ou outra doença grave
  • Eclâmpsia
  • Herpes genital com lesão ativa no final da gravidez
Indicações relativas para cesariana:
(aqui existem alguns riscos para o parto normal, no entanto deverão ser discutidas todas as hipóteses disponíveis)

  • Desproporção feto-pélvica (aqui a indicação é relativa pela dificuldade em diagnosticar esta situação; é muito raro mas pode ocorrer em mulheres que sofreram raquitismo na infância ou outro tipo de malformações. Pode ser confundido com outras situações, por exemplo, a posição para parir influência a passagem do bebe; já foi demonstrado que parir deitada de costas além de absurdo é perigoso pois dificulta a saída do bebé. De fato, de cócoras, a abertura da pélvis aumenta cerca de 30%).
  • Apresentação pélvica (nos últimos anos a cesariana tem sido promovida nos casos em que o bebe se apresenta sentado, sobretudo num primeiro parto. Contudo, estudos médicos demosntram que o parto vaginal é viável quando existe apresentação pélvica, com a cabeça fetal flexionada, peso fetal equilibrado e pélvis materna normal.
  • Tumores que obstruem a saída do bebé (podem ser miomas uterinos, convém esperar que o trabalho de parto se inicie para ver como evolui)
  • Perda de bem-estar fetal (o bebe, no decorrer do trabalho de parto, apresenta alterações nos batimentos cardíacos, que se mantêm e acentuam com o tempo e que podem revelar uma perda progressiva de capacidade de recuperação. Contudo, em alguns casos o mal-estar fetal deve-se ao uso inadequado de ocitocina ou ao fato de a mãe permanecer deitada)
Indicações não justificáveis
(quando os riscos da cesariana superam aqueles esperados num parto normal)

  • Cesariana anterior (já não se aconselha fazer uma cesariana só porque se fez uma anteriormente)
  • Gravidez de múltiplos (depende da maturidade fetal e da posição dos bebes. Na Holanda, por exemplo, só 14% dos gêmeos nascem por cesariana)
  • Falta de dilatação ou parto prolongado (a "falta de dilatação" teoricamente não existe. O que acontece frequentemente é que o medo, a tensão, a solidão e a falta de privacidade fazem com que o corpo não colabore tão eficazmente no trabalho de parto. Se for dada oportunidade de privacidade e o apoio certo à mulher, a dilatação acabará por progredir. Entretanto, enquanto mãe e bebe estiverem bem, o parto não é considerado prolongado. Não existe um tempo pré definido para o trabalho de parto).
  • Chegar às 40 semanas de gestação (uma gravidez de termo, normal, pode ir das 37 às 42 semanas)
  • O bebe é muito grande (desde que a evolução do parto seja boa, o peso não é um fator significativo, além de que uma estimativa de peso por aparelhos nem sempre é confiável)

Riscos da cesariana para a mãe:


  • Sendo uma cirurgia, obviamente acarreta os riscos associados a todas as outras operações como sejam os riscos relacionados com a anestesia e maior risco de infecções.
  • pós-parto mais doloroso
  • não conseguir cuidar do bebe plenamente no pós-parto imediato
  • risco de morte materna 5 a 7 vezes superior, comparando com um parto normal
  • risco de hemorragia séria 6 a 8 vezes superior
  • maior tempo de internamento hospitalar
  • risco de complicações com a cicatrização (por exemplo, hérnias ou quelóides)
  • experiência de "parto" sentida como negativa
  • a mãe não poderá ser acompanhada pelo marido durante todo o processo de nascimento do bebe, não tem qualquer controle sobre a situação nem pode ficar imediatamente com seu bebe
  • aumenta o risco de morte fetal em gravidezes subsequentes
  • aumenta o risco de infertilidade para futuras gravidezes
  • aumento do risco de problemas a nível de placenta (acreta, abrupta ou prévia) em gravidezes subsequentes
  • risco de ruptura uterina num futuro parto

Riscos da cesariana para o bebe:



  • aumenta os riscos de morte no primeiro mês de vida
  • aumenta os riscos de problemas respiratórios
  • risco de corte cirurgico acidental
  • risco de não vir a ser amamentado ou sê-lo 
  • por pouco tempo devido a introdução de leite artificial ainda na maternidade




6 de jun. de 2011

* Parir e gozar



Relação entre maternidade e sexualidade


Prepare-se para quebrar o paradigma de que parir é sofrer. Pela primeira vez numa revista feminina brasileira, a relação entre maternidade e sexualidade – sem tabus

Kalu Brum tem 29 anos e é mãe de Miguel, nascido há dois de forma natural. Ninguém melhor do que ela para descrever o parto: “Lembro da sensação quente, do escorregar daquele pequeno corpo pelas minhas entranhas. Eu estava ali, nua, fêmea, selvagem, desfrutando do prazer mais intenso que já vivi. Um longo orgasmo selou sua passagem para esta vida, quebrando com o paradigma de que nascer é sofrer”.
Gozar no parto, como assim? Qualquer menina com mais de 15 anos sabe a resposta sobre “a pior dor que existe”: “A do parto, claro!”. Mas, para as mulheres que passaram por uma experiência de parto natural, há uma opinião unânime: é possível sentir as contrações com prazer. Isso porque a mulher, assim como cada fêmea do reino animal, possui um sistema reprodutivo perfeitamente organizado para a manutenção da espécie, garantindo que gestar e parir sejam experiências seguras – e até prazerosas. Num parto normal, livre de intervenções médicas, o organismo se encarrega de produzir os próprios analgésicos. Tudo bem, isso você já sabe, já viu no Discovery Home and Health, já leu no blog de uma amiga natureba. Provavelmente, porém, você desconhece mulheres que relatam verdadeiros orgasmos durante o parto. “É lógico que a mulher pode ter uma experiência prazerosa e estimulante ao parir. Nem todo parto resulta num orgasmo, mas se tudo ocorrer de forma equilibrada, e a mulher não fizer uso de analgesia, é perfeitamente possível que ela tenha um momento de grande prazer, principalmente na hora da expulsão do bebê”, afirma Carlos Czeresnia, ginecologista obstetra que acompanha partos há 35 anos e que, entre outras coisas, foi chefe do setor de ginecologia do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas/FMUSP e é especialista em reprodução humana. “Os movimentos de distensão e contração do períneo no momento em que o bebê vai sair são muito semelhantes à sensação do orgasmo. E o cérebro interpreta esses estímulos neurais com respostas de prazer. O parto e o orgasmo percorrem o mesmo caminho neurológico”, completa.


Jato de prazer

O assunto, tratado como tabu por muito tempo, tem vindo à tona em conversas de recém-mães. E também por causa de um documentário que rodou os festivais de cinema do mundo, o Orgasmic Birth (veja box). “O parto é um ato fisiológico e não cirúrgico. Durante o trabalho de parto, o principal hormônio produzido, responsável pelas contrações do útero, é a ocitocina, liberada em situa­ções de prazer. Esse hormônio é produzido em jato, por exemplo, durante o orgasmo feminino e também na amamentação”, esclarece. Adaílton Salvatore, ginecologista obstetra, especialista em homeopatia e acupuntura. Com mais de 1.600 partos no currículo – 65% deles normais – e passagens por maternidades na França, na Alemanha e na Inglaterra, o médico explica que, durante o trabalho de parto, muitas glândulas funcionam ao mesmo tempo e são muitos os hormônios atuantes. Entre eles, estão os opioides endógenos, cuja molécula, semelhante à do ópio, provoca um estado de euforia, alegria, leveza. “Nesse contexto, o parto pode ser visto como um rito de passagem.”


Respira e goza


Para sentir prazer no parto, a mulher não pode ter medo. A sensação de perigo alerta o cérebro, que acaba por produzir mais adrenalina – inibidora da ocitocina –, deixando corpo e mente sob estresse. Mas medidas simples podem ser tomadas para que tudo aconteça de forma equilibrada, permitindo que o sistema límbico, parte mais primitiva do cérebro, produza as substâncias necessárias a essa orquestração hormonal. “Um parto próximo do ideal é aquele em que a mulher pode esquecer a razão, se desligar do funcionamento racional do cérebro, representado pelo neocórtex”, explica a psicanalista Vera Iaconelli, do Instituto Sedes Sapientiae. “A mulher tem direito a relaxar, a não ser interrompida, a ficar em contato com o seu corpo. O trabalho de parto implica um funcionamento muito primitivo, que ocorre em situações excepcionais, como durante o sexo”, compara.

Geralmente expostas a ambientes com luz forte, barulhos, gente entrando e saindo, as parturientes não conseguem relaxar: “Não dá para ter prazer no parto com medo, assim como não dá para ter prazer no sexo se estiver amedrontada. Para ter prazer sexual você precisa de intimidade. Só assim é possível desligar o neocórtex. Sob pressão, ninguém tem prazer”, ressalta Ana Cristina Duarte, doula (profissional que garante o bem-estar da mulher durante o parto) e parteira formada no ano passado na primeira turma do curso superior de obstetrícia da USP, rea­berto em 2005 após 33 anos de extinção.
Sheila Ribeiro, quando pariu sua segunda filha, estava no lugar mais íntimo do mundo, sua casa. Ela já tinha sentido um orgasmo durante a expulsão da primogênita, Thalita. Mas a dilatação ocorreu de maneira tão rápida e indolor no segundo parto que Naiara nasceu de repente, desassistida por médicos e enfermeiras. “De cócoras, tive o maior orgasmo da minha vida, com aquela sensação que partiu da vagina e percorreu meu corpo inteiro, da ponta do dedão ao último fio de cabelo”, confessa. A advogada, hoje com 49 anos, atribui a “maravilhosa experiência” ao seu estilo de vida saudável, à prática de exercícios, ao tratamento homeopático. Sua teoria encontra respaldo na maneira como pensa – e trata as pacientes – o doutor Adaílton. Para ele, o primitivo está completamente esquecido hoje, afinal, vivemos na era da razão. “Pensamos: ‘Para que caminhar, se posso ficar em casa e produzir algo?’. A atividade física perdeu para a intelectual. Nesse clima competitivo, a mulher vive sob adrenalina, fabricando mais testosterona”, afirma o médico, que argumenta que o sistema imunológico de muitas mulheres está desvitalizado. Atribui isso ao estilo de vida da maioria da população, que come alimentos refinados, pobres em oligoelementos (microminerais fundamentais para a formação de enzimas vitais). “Tudo isso altera nossa fisiologia. O trabalho de parto é uma maratona, o organismo precisa estar bem. Ouça os gritos de uma mulher durante o parto: são guturais. Urros instintivos que emergem da parte mais primitiva de seu cérebro.”


Armadilha


Debra Pascali-Bonaro, doula há 26 anos, mãe de três filhos de parto natural, conhece essa história: “O parto possibilita uma nova perspectiva de si mesma. As mulheres que têm um parto prazeroso sentem-se confiantes, conscientes de seus poderes. Temos que questionar o sistema que medicalizou o parto, pois muitas mulheres perdem a oportunidade, profundamente transformadora, que pode ser dar à luz”, diz a americana, autora do documentário Orgasmic Birth.
Assim como Debra, as 15 mulheres ouvidas para esta reportagem concordam que, muitas vezes, os esquemas dos médicos acabam impedindo que a mulher experimente esse prazer. Ao mesmo tempo, elas constatam que isso também pode virar uma armadilha. Além de “ter que” ser linda, superprofissional, boa mãe, ter parto normal, só faltava a mulher “ter que” sentir prazer ao parir: “A ideia é resgatar a naturalidade do parto e, assim, também a sexualidade inerente a ele. Mas idealizá-lo pode gerar frustração”, destaca Vera, seguida por Ana Cris, a doula: “É perigoso colocar o orgasmo como um objetivo”. Entenda-se: para permitir que o menor diâmetro da cabeça se molde para atravessar a pelve materna, o bebê costuma se virar em algum momento. “Ao passar pelo canal de parto (vagina), ele apoia a parte de trás da cabeça, o cocuruto, bem onde está o clitóris, para fazer um movimento rotativo e poder sair. Esse apoio se dá em uma região repleta de receptores de prazer. Além disso, a cabeça do bebê funciona como um rolo compressor, relaxando e tonificando os músculos da pelve”, explica o doutor Adaílton.
Professora da técnica corporal Alexander, Ana Thomaz, 42 anos, gargalhava durante as contrações: “Eu não acreditava que estava tendo um parto orgásmico! Já tinha ouvido falar nisso, mas não nutri nenhuma expectativa nesse sentido”, conta. Talvez tenha sido justamente essa falta de expectativa que a tenha levado a um parto prazeroso. “A gestante precisa buscar informações além dos consultórios. Muitos médicos desestimulam o desejo de um parto normal, então é melhor encontrar um profissional que abra o maior leque de possibilidades”, aconselha a psicanalista Vera.
Tão imprevisível quanto o prazer ao amamentar, capítulo seguinte ao parto, quando muitas mulheres se assustam ou se envergonham da sensação prazerosa que têm ao dar de mamar. “Por que a natureza colocou receptores de prazer no mamilo? A mama é para o filhote e a mulher deve, sim, sentir prazer. Todos esses hormônios que ela produz, a endorfina, a ocitocina, vão para o leite do bebê”, afirma Ana Cris, antes de concluir: “Mas a amamentação é politicamente correta, cena plácida, que recebe campanhas de incentivo. Mas prazer no parto? Como assim, é louca?”.


SEGREDO BEM GUARDADO


Após trabalhar por mais de duas décadas assistindo partos, a doula e educadora perinatal Debra Pascali-Bonaro percebeu que a mídia norte-americana tratava o nascimento como uma questão de emergência médica. “Por que ninguém falava sobre a natureza sensual do parto, do êxtase que ele pode proporcionar?” Começou, então, a falar do assunto para pequenos grupos de gestantes. Mas não estava satisfeita, queria contar para um grande número de pessoas. E foi dormindo que Debra teve o insight. “Tive um sonho com o filme e, quando acordei, tinha encontrado a fórmula!” Ao registrar o aspecto sexual do nascimento através da história de 11 casais que optaram pelo parto normal, o filme, intitulado Orgasmic Birth, causou comoção no circuito mundial de festivais quando foi lançado, em 2007. Foi exibido, inclusive, durante o Festival do Rio 2008. “Já rodou em 31 países. Não tinha ideia de que este seria um assunto de tanto interesse no mundo todo”, diz Debra. “Acho fundamental que os casais grávidos ouçam histórias de quem teve um parto prazeroso. Ao assistir ao filme, uma nova perspectiva se abre a quem espera uma criança. Brinco que o documentário revela um segredo bem guardado. Afinal, se a mulher não conhece suas opções, então ela não tem nenhuma.” 


“SENTIA QUE TINHA VIRADO BICHO”

POR DANIELA BUONO*

“Passei dias trabalhando na edição de um vídeo que quase me enlouqueceu. No dia da entrega, fui ao banheiro e, de repente, chuáááá: ‘Caraca, a bolsa estourou!’. Fiquei aflita e chamei o editor. ‘Fala sério, Dani! Não tenho a menor ideia do que fazer numa hora dessas.’ Nem eu tinha. Fiquei lá mais um pouco, sentada, retomando as lições aprendidas nos últimos meses. Estava com 36 semanas e três dias, o que significava que minha bebê ainda estava prematura. O que seria do meu sonho de ter um parto natural? ‘80% a 90% de chance de ser um parto normal’, disse o médico. ‘Mas precisamos que você entre em TP (trabalho de parto) nas próximas 24horas’, completou. Flávio me pegou e fomos para a maternidade. Tomei um banho e me sentia tão feliz... Parecia que estava me preparando para casar. Tinha certeza de que daria tudo certo!

A doula me aconselhou a relaxar porque a adrenalina podia atrapalhar a ação da ocitocina, o hormônio que eu precisava produzir para começar o TP. As contrações já estavam fortes, mas suportáveis. Senti um imenso prazer por perceber que a hora estava chegando. Sentia dor, mas também prazer e muita emoção. A cada contração, uma força maior me atravessava. E essa força ia, pouco a pouco, me conectando a todas as minhas ancestrais, como se elas estivessem me contando um segredo. Procurava toda hora os olhos do Flávio, como se precisasse passar um pouco daquela energia pra ele.
Aí a dor aumentou muito e eu já não achava posição. Os gemidos aumentaram, eu estava começando a temer aquela dor. Parecia mais forte do que eu. Fui para o chuveiro e algo sobrenatural aconteceu: sentia que tinha virado bicho. Não havia mais razão, eu era puro instinto! Estava concentradíssima em me deixar abrir para o neném passar. Finalmente, dilatação total. Numa determinada contração, senti o tal anel de fogo, a bebê passando pela vagina. Fiz o dobro de força. Dei um grito e senti um enorme alívio: passou cabeça e corpo de uma vez. ‘Nasceu, Dâ! Nasceu a Maria Clara, meu amor!’, disse o Flávio, superemocionado. Na hora em que ela saiu, ele começou a gemer de êxtase...”


* Daniela Buono, 35 anos, é jornalista, roteirista e diretora de vídeo.

Além de Maria Clara, de 4 anos, é mãe de Bebel, de 1.



Texto por Fernanda Danelon 
Fotos Roberta Dabdab 
Ilustração Milena Galli e Rafaela Ranzani


ORGASMIC BIRTH


12 de abr. de 2011

* O Brasil precisa de Obstetrizes!!!!

Um video simples, direto e lindos sobre a luta pela a permanência do curso de Obstetricia da USP.

Por que lutamos??? POR QUE O BRASIL PRECISA DE UMA ASSISTÊNCIA DIGNA AO PARTO!!!

19 de mar. de 2011

* ABAIXO-ASSINADO contra o fechamento da graduação em Obstetrícia na USP.





Pela continuidade da Obstetrícia como graduação na USP, a favor da humanização do parto e empoderamento da mulher a fim escolher seu modelo de parto, e dar continuidade à construção teórica e filosófica da obstetrícia enquanto assistência humanizada no país, convido todos e todas a assinar o abaixo-assinado do link a seguir.

3 de mar. de 2011

* Dia Do Nascimento

Este video é de uma leveza e de um instinto incrivel...
Não sou a favor de quem postou ele indevidamente,
pois é um video que possui direitos autorais e
está sendo vendido nos site do GAMA.

Vale muito a pena ver, se empoderar e também comprar.

4 de jan. de 2011

* Mitos e Fatos







São poucos os fatos da vida envoltos em tanto mistério, medos e tabus quanto o parto. Talvez nem o sexo tenha sido tão mistificado, alguém aqui já ouviu falar de quem tenha medo de morrer de sexo? Ou de ter falta de líquido, cordão enrolado, bacia estreita para o sexo?

Quem já esteve grávida fartou-se de ouvir de amigos, parentes, conhecidos e até de desconhecidos sobre os grandes perigos do parto. Todo mundo tem uma história trágica a contar. São tantas histórias dramáticas que não consigo entender como é que as nossas cidades não estão povoadas de pessoas lesadas, paralisadas, ressecadas e enroladas em cordões assassinos!
Sem contar nas mulheres alargadas e com incontinência urinária no último grau.

Qual é a grávida que não foi parada pela manicure, pela cobradora do ônibus, pela cunhada da prima da vizinha para ouvir uma história tenebrosa sobre o bebê que bebeu água do parto, que chorou na barriga, que fez cocô no líquido amniótico, que secou de tanto que passou da hora, que tinha 30 voltas de cordão no pescoço, que teve um parto seco, que teve um fórceps tão forte que lhe afundou o crânio de lado a lado?

Se você está grávida e se a sua barriga já aparece, certamente você já ouviu uma história dessas e não gostou nada dos pulos que seu coração deu. Pensando em ajudar as mulheres que se encontram nessa situação, aqui vão algumas dicas para ajudar a desmistificar os "grandes perigos" que as cercam quanto mais o parto se aproxima.




MITOEXPLICAÇÃOFATOS
Falta de DilataçãoMuitas mulheres hoje em dia dizem que não conseguiram ter um parto porque tiveram falta de dilatação.Tecnicamente não existe falta de dilatação em mulheres normais. Ela só não acontece quando o médico não espera o tempo suficiente. A dilatação do colo do útero é um processo passivo que só acontece com as contrações uterinas.
Bacia EstreitaUma mulher com bacia estreita não teria espaço para a passagem do bebêExistem situações não muito comuns em que um bebê é grande demais para a bacia da mulher, ou então está numa posição que não permite seu encaixe. Não mais que 5% dos partos estariam sujeitos a essa condição. Além disso, tecnicamente é impossível saber se o bebê não vai passar enquanto o trabalho de parto não acontecer, a dilatação chegar ao máximo e o bebê não se encaixar.
Parto SecoUm parto depois que a bolsa rompeu seria uma tortura de tão doloroso.A verdade é que depois que a bolsa rompe o líquido amniótico continua a ser produzido, e a cabeça do bebê faz um efeito de "fechar" a saída, de modo que o líquido continua se acumulando no útero. Além disso o colo do útero produz muco continuamente que serve como um lubrificante natural para o parto.
Parto DemoradoUm bebê estaria correndo riscos porque o parto foi/está sendo demorado.Na verdade o parto nunca é rápido demais ou demorado demais enquanto mãe e bebê estiverem bem, com boas condições vitais, o que é verificado durante o trabalho de parto. Um parto pode demorar 1 hora como pode demorar 3 dias, o mais importante é um bom atendimento por parte da equipe de saúde. O que dá à equipe as pistas sobre o bebê são os batimentos cardíacos. Enquanto eles estiverem num padrão tranquilizador, então o parto está no tempo certo para aquela mulher.
Bebê passou da horaO bebê teria como uma "data de validade" após a qual ele ficaria doenteOs bebês costumam nascer com idades gestacionais entre 37 e 42 semanas. Mesmo depois das 42 semanas, se forem feitos todos os exames que comprovem o bem estar fetal, não há motivos para preocupação. O importante é o bom pré-natal. Caso os exames apontem para uma diminuição da vitalidade, a indução do parto pode ser uma ótima alternativa.
Cordão EnroladoA explicação é de que o bebê iria se enforcar no cordão umbilicalO cordão umbilical é preenchido por uma gelatina elástica, que dá a ele a capacidade de se adaptar a diferentes formas. O oxigênio vem para o bebê através do cordão direto para a corrente sanguínea. Assim, o bebê não pode sufocar.
Não entrou/não teve  trabalho de partoA idéia aqui é de que a mulher em questão tem uma falha que a impede de entrar em trabalho de partoA verdade é que toda mulher entra em trabalho de parto, mais cedo ou mais tarde. Ela só não vai entrar em trabalho de parto se a operarem antes disso.
Não tem dilatação no final da gravidezA explicação é que o médico fez exame de toque com 38/39 semanas e diz que a mulher não vai ter parto porque não tem dilatação nenhuma no final da gravidez.Tecnicamente uma mulher pode chegar a 42 semanas sem qualquer sinal, sem dilatação, sem contrações fortes, sem perder o tampão e de uma hora para outra entrar em trabalho de parto e dilatar tudo o que é necessário. É impossível predizer como vai ser o parto por exames de toque durante a gravidez.
Placenta envelhecidaA placenta ficaria tão envelhecida que não funcionaria mais e colocaria em risco a vida do bebêO exame de ultra-som não consegue avaliar exatamente a qualidade da placenta. A qualidade da placenta isoladamente não tem qualquer significado. Ela só tem significado em conjunto com outros diagnósticos, como a ausência de crescimento do bebê, por exemplo. A maioria das mulheres têm um "envelhecimento" normal e saudável de sua placenta no final da gravidez. Só será considerado anormal uma placenta com envelhecimento precoce, por exemplo, com 30 semanas de gravidez.




Curiosamente, a amamentação também tem uma maravilhosa lista de mitos e lendas, sempre no sentido de diminuir a confiança da mãe em sua capacidade. Se você conhece algum mito interessante do parto ou da amamentação que queira nos contar, nós poderemos incluir neste quadro! Aproveite agora para cuidar de você e do seu bebê. Não deixe que os pessimistas de plantão estraguem esse maravilhoso momento da vida de vocês.



Ana Cristina Duarte
Doula, Educadora Perinatal, Graduanda em Obstetrícia pela USP Leste
Mãe de Júlia (Cesárea Desnecessária) e Henrique (Parto Normal Hospitalar)


๖๔΅˚◦.Minha Arte.◦˚΅๖๔