27 de dez de 2011

* Episiotomia - Dr. Melania Amorim


A revisão sistemática da Biblioteca Cochrane (Carroli e Belizan), atualizada pela última vez em 1999, inclui seis ensaios clínicos randomizados e um total de 4850, submetidas à episiotomia de rotina ou seletiva. No primeiro grupo, 73% receberam episiotomia, contra 28% no segundo grupo. Os autores concluíram que os benefícios da episitomia seletiva (indicada somente em situações especiais) são bem maiores que a prática da episiotomia de rotina.
Baseando-nos nesses resultados da revisão sistemática, bem como nas conclusões de diversos outros estudos randomizados desde então publicados, podemos afirmar que:
1) Não há diferença nos resultados perinatais nem redução da incidência de asfixia nos partos com ou sem episiotomia, ou seja: os bebês nascem muito bem sem episiotomia, e não há necessidade de realizá-la com esse intuito.
2) Não há proteção do assoalho pélvico materno: a episiotomia não protege contra incontinência urinária ou fecal, e tampouco contra o prolapso genital, associando-se com redução da força muscular do assoalho pélvico em relação aos casos de lacerações perineais espontâneas.
3) A perda sanguínea é mais volumosa (em torno de 800ml contra 500ml no parto vaginal espontâneo), utiliza-se uma maior quantidade de fios para sutura e há mais dor perineal quando se realiza episiotomia.
4) A episiotomia é per se uma laceração perineal de segundo grau, e quando ela não é realizada pode não ocorrer nenhuma laceração ou surgirem lacerações anteriores, de primeiro ou segundo grau, mas de melhor prognóstico.
5) A episiotomia não reduz o dano perineal, ao contrário, aumenta-o: nas episiotomias medianas é maior o risco de lacerações de terceiro ou quarto graus.
6) A episiotomia aumenta a chance de dor pós-parto e dispareunia.
7) A episiotomia pode cursar com complicações como edema, deiscência, infecção (até fasciíte necrosante) e hematoma.
A recomendação atual da Organização Mundial de Saúde não é de proibir a episiotomia, mas de restringir seu uso, porque em alguns casos ela pode ser necessária. Não está muito claro em que situações a episiotomia é, de fato, imprescindível, porque até mesmo partos instrumentais (fórceps ou vácuo-extração) podem ser realizados sem episiotomia. Fala-se muito em “ameaça de ruptura perineal grave”, para prevenir rupturas de terceiro ou quarto grau, mas o que, clinicamente, caracteriza essa “ameaça” ainda não está definido.
A episiotomia não é útil na distocia de ombros, porque o problema neste caso é uma desproporção dos ombros fetais com a pelve óssea, e não com o períneo da mãe. Possivelmente esses aspectos serão desvendados em estudos futuros. É importante lembrar que, como todo procedimento cirúrgico, a episiotomia só deveria ser realizada com o consentimento pós-informação da parturiente. O planejamento em relação a esta e outras intervenções também deve fazer parte do plano de parto.
O ideal é que a taxa de episiotomia nos diversos serviços seja inferior a 30%, o que já é realidade em muitos países europeus. A taxa de episiotomias também vem caindo significativamente nos EUA, embora ainda persista elevada: o percentual de episiotomias em partos vaginais variou de 65,3% in 1979 para 38,6% em 1997.
Infelizmente, no Brasil, a situação é ainda mais crítica, porque o procedimento é realizado em cerca de 94% dos partos vaginais. No país que é o segundo “campeão” mundial de cesáreas, quando não se corta por cima, se corta por baixo (Diniz e Chachan, 2004). Urge nos mobilizarmos contra essa prática abusiva, porque reduzir procedimentos cirúrgicos desnecessários é essencial na luta pela humanização do parto e na promoção de cuidados baseados em evidências. “
Fonte: Comunidade (orkut) G.O. Baseada em Evidências 

21 de dez de 2011

Relato de Parto - Benjamin e Ana





Depois de um alarme falso às 37+2 (madrugada inteira com
contrações fortes e ritmadas, que pararam ao nascer do Sol), minha ansiedade
foi à mil. Já estava cansada, com todos os incômodos do mundo, a Gabriela
exalando energia, Leandro no final do ano letivo, no limite da paciência.
Impossível não comparar uma gestação à outra: Gabriela nasceu de 38 semanas,
esse também não ia demorar. Ledo engano. Passamos as 38, 38+1, 38+2... O mantra
diário era ‘Uma gestação saudável vai até as 42 semanas, uma gestação saudável,
vai até as 42 semanas’.

Na madrugada do dia 07 pro dia 08 (quarta para quinta
feira), umas 4 horas da manhã, acordei com contrações. Doloridas, mas
suportáveis. 10 em 10 minutos, 8 em 8 minutos... como já tinha tido aquela
noite de pródromos, nem me importei. 5 horas da manhã, 6 horas da manhã, 7
horas da manhã... sempre ritmadas, sempre doloridas. Leandro até saiu mais
tarde para trabalhar, vai que engrena, vai que não.

Passei o dia inteiro assim. Desci com a Gabriela para
brincar, fiz comida, dei uma limpada na casa. Queria ao mesmo tempo me
concentrar no processo, no meu corpo... mas isso me deixava ansiosa, nervosa.
Não era a hora ainda de focar, era hora de ficar relaxada... Tirei um cochilo
junto da Gabi depois do almoço, mas a cada contração, eu acordava. Saí de
tarde, para ir ao mercado, à farmácia e, na volta, as contrações apertaram. 5
em 5 minutos, durando uns 20 segundos. Minha sogra apareceu para tomar café com
a gente, me distraí, conversei... foi bom, deu pra esquecer um pouco que eu já
estava há 12 horas com contrações. E assim foi até de noite.  

Acordei à uma da madrugada (de quinta para sexta) com uma
dor forte. Reconheci na hora que aquilo sim era uma boa contração. Não quis
acordar o Leandro, já que queria ter certeza de tudo. Fui pra sala, fiz um
pãozinho, comi. 5 minutos depois, outra contração. Me agachava, rebolava,
respirava... nada como focar o pensamento na respiração, é um alívio tremendo.
Depois de um tempinho assim, resolvi entrar no banho. Tomei uma bela e demorada
chuveirada, no escurinho, aproveitando para relaxar a lombar, que era onde a
contração mais doía. Água quente e respiração praticamente tiravam a minha dor.
Saí do chuveiro e já não queria mais ficar sozinha. Fui acordar o Lê e vi que
eram quase 3 horas da manhã. Daí até às 6 horas da manhã, nada mudou... contrações
sempre de 5 em 5 minutos, durando 20 segundos, 30 segundos... eu andava,
agachava ao máximo, vocalizava, rebolava, o Lê fazia massagem, me sustentava
(lembro de uma hora dar risada comigo mesma, pq ele fazia massagem no meu
pescoço e eu implorando por dentro para ele mudar para a lombar – mas na hora
era simplesmente impossível falar alguma coisa, parecia que existia o Leandro,
eu e um segundo eu, pensante). Ficar dentro de casa estava me sufocando,
resolvi descer para andar no jardim do prédio. A irmã do Leandro tinha vindo
para casa, para ficar com a Gabriela durante a madrugada, caso ela acordasse.
Foi ótimo, porque realmente, parecia que dentro da minha casa já não tinha
espaço suficiente para mim.

Perto das 6:30, comecei a me sentir bem estranha. Enjoada,
hora com frio, hora com calor, pensando que não ia mais agüentar. Opa, peraí! ‘Isso
é sinal da transição’, eu pensava. Mas me parecia impossível! Já estar na
transição, sendo que as contrações estavam ‘fracas’? Cadê as contrações de 2 em
2 minutos, 1 em 1 minuto, longas? Cadê a partolândia? Comecei a ficar
assustada... pensava em parada de progressão, pensava que alguma coisa estava
errada, que era melhor ir para a Casa de Parto e pronto. O Lê ouviu o coração
do bebê, os batimentos estavam ok. Comecei a falar que estava ficando com medo,
que achava que aquilo não era normal, mais de 24 horas e nada ainda? Ele me
dizia que tínhamos que esperar, que eu tinha que ficar calma, que as coisas
estavam indo para frente. Eu estava sim em trabalho de parto, que o bebê ia sim
nascer... Começou a encher a banheira, dizendo que eu deveria entrar para
tentar relaxar, pelo menos, mesmo que o trabalho de parto desse uma
estacionada.

Mas não adiantava eu tentar relaxar. Eu precisava ter
certeza de onde eu estava. Liguei para a Julia, dizendo que estava preocupada,
que achava que não estava engrenando, que já não tinha certeza se tudo estava
bem. Ela sugeriu fazermos um toque, o que foi uma idéia brilhante. Desliguei e
convenci o Leandro a fazer (acho que ele ficou meio traumatizado). Ele fez e
tirou os dedos ‘na medida’ em que estava o colo. Quando eu olhei, até
desanimei. A distância entre os dedos parecia pequena. Bom saber que o meu olhômetro
é péssimo. Pegamos uma régua e tchanãn: 7 centímetros! Sim,
sim, sim. Todas aquelas sensações que pra mim não faziam sentido na teoria,
eram sim a transição. O problema agora era: quanto tempo mais faltaria para
tudo acontecer? O Lê trabalha em escola pública e era dia de conselho de classe
(quando os professores são convocados, não podem faltar, a não ser perante
alguma justificativa. Ele só poderia faltar se o bebê nascesse). Ele disse que
teria que ir trabalhar, para eu ligar pra ele que ele voltava. Liguei de novo
pra Julia e pedi para ela vir ficar comigo, apesar de eu achar que tudo ainda
demoraria muito.

(nessa hora a Gabriela estava acordando e foi pra sala
brincar com a tia. Nem ligou pra mim, nem reparou no que estava acontecendo. Ficou
brincando, tomando leite, como uma manhã normal)

Entrei na banheira preparada para mais algumas boas horas. 5
minutos, 10 minutos, 15 minutos... e começou uma contração como não tinha vindo
até agora. Me senti realmente abrindo por dentro e junto com isso, um ‘ploc’
bem sentido. Quando a contração acabou, levantei e pude sentir toda a água
saindo (coisa que eu quis muito, muito, muito sentir e senti!). O Leandro
estava olhando com olhos bem abertos pra mim e me mostrou no relógio: um pouco
mais de um minuto de contração. Ainda me falou que aquela contração ele
conhecia pelo meu rosto: era a mesma do final do trabalho de parto da Gabriela.
E desistiu de ir trabalhar.

Já não me lembro exatamente das coisas nessa parte. Sei que
as contrações eram compridas e com pouquíssimo intervalo. Depois que a bolsa
estourou, senti mais umas 4 contrações e já senti um leve puxo no final delas. Opa
de novo! Já? Não, não é possível... acho que eu ainda não estou com dilatação
total. Será que eu já estou, em tão pouco tempo? Lembrei da Lia, uma querida
que participa de uma lista de discussão junto comigo, dizendo que informação técnica
demais atrapalha. Lembrei dessa frase e ela fez todo o sentido pra mim na hora.
Ora, se eu estou sentindo o puxo, então eu tenho que seguir o meu corpo, não
importa se faz sentido ou não. Se está acontecendo, está acontecendo. Se
entregar é o único jeito de deixar fluir... 

E assim foi. Eu vocalizava bastante e conseguia sentir ele
descendo pela minha bacia. Acho que a Julia chegou nessa hora. Ainda consegui
falar no intervalo da contração de que estava com medo de fazer força e não ser
a hora. O Leandro dizia que se eu estava sentindo vontade, que era pra fazer. Umas
poucas contrações depois, comecei a sentir a cabeça coroando. Era a melhor
coisa sentir com as minhas mãos o meu filho chegando. A cada contração, eu
aparava o períneo e ia sentindo a cabeça vindo, vindo, vindo... A Julia jogava água
quente nas minhas costas e falava que estava tudo bem, que eu estava ótima. É
impossível descrever a sensação de aparar o seu filho. Senti os cabelinhos dele
e sorri, dizendo como ele era cabeludo. O Lê e a Ju riram comigo. Eu estava
ajoelhada na banheira, com o quadril um pouco abaixado. O Benjamin já estava
com a cabecinha para fora, dentro da água. Não sei quem sugeriu para eu
levantar um pouco, ficar mais ereta. Sei que foi o tempo do Lê me sustentar,
para que ele fizesse a rotação e desprendesse os ombrinhos. Foi mágico. Sentir
o bebê se movendo dentro da gente, num ritmo perfeito para nascer é surreal. Ainda
não tinha visto, estava de olhos fechados, sentindo tudo com as mãos, sentindo
seus movimentos dentro de mim. Quando olhei para baixo, vi sua cabecinha e seu
tronco para fora. Segurei ele pelos bracinhos e ele deslizou inteiro para a água
e depois para o meu colo. Massageei suas costinhas um pouco e ele deu um
chorinho baixo e logo parou. Olhos grandes, abertos e serenos, me olhando
naquele quarto escurinho, com uma energia tão forte que era praticamente palpável.
Que cheiro bom que ele tinha, um cheiro doce naquele cabelinho... e quanto
cabelo! 

Todo mundo parecia em transe: eu, o Leandro, a Julia, a
minha cunhada... só a Gabriela que estava meio aérea e nem se ligou em nada. Não posso
reclamar, era exatamente o que eu queria! Que ela ficasse conosco, passasse o
trabalho de parto dormindo, que pudesse ver o irmão nascer, sem se assustar.

Fiquei um tempão (quer dizer, para mim pareceu um tempão, não
sei ao certo) na banheira, lambendo a cria, rindo que nem boba e conversando. Ainda
sentia contrações, sinal de que a placenta logo, logo sairia. Queria cortar o
cordão somente depois da saída da placenta, mas estava complicado ficar confortável
nas contrações e segurando o bebê no colo. O Lê então cortou o cordão,
embrulhou o Benjamin nas toalhas e ficou namorando o filhote mais novo um
pouquinho. A placenta nasceu uns 20 minutinhos depois, em duas contrações. Membranas
ok, ela por dentro também estava ok. Parto terminado, levantei e fui deitar na
minha cama e amamentar o pequeno, que estava bem alerta e gostou da coisa. O Lê
saiu com a irmã e a Gabriela pra comprarem coisas para a gente comer e eu
fiquei papeando com a Ju.

Queria ter muito filmado o expulsivo, mas não deu. Se não
fosse a Julia, nem fotos nós teríamos! Quando entrei na banheira, entrei em
outro mundo. E o Leandro mergulhou junto comigo nesse transe. Estava tão ou
mais concentrado do que eu, o que foi divino. Sem ele, provavelmente eu não
teria conseguido. Ele me guiou, me deu força, me encorajou e acreditou em mim,
mesmo quando eu não acreditei. E eu não trocaria isso por nada nesse mundo. Sei
que os detalhes ser perderão com o tempo, mas o sentimento de ser abençoada por
passar por essa experiência nunca irá sumir. É algo que carregaremos pro resto
das vidas. 













Minha Visão:

"naquele quarto escurinho, com uma energia tão forte que era praticamente palpável."

Digo que quando entrei em sua casa pairava uma energia muito boa...Uma energia indescritível.
No primeiro passo que dei pedi bênçãos para que minha energia ficasse harmônica com as suas.
E assim entrei no quarto e senti como se estivesse entrando em um santuário, em um círculo mágico.
E agora escrevo arrepiada e com lágrimas nos olhos e novamente e sempre agradecida por poder
vivências esse momento que pra mim foi muito muito especial...Vocês estão de parabéns todos!!!

Você e Leandro são um em quatro seres abençoados...Gratidão a vocês e muitas bençãos sempre!

Me sinto muito abençoada por ter vivenciado este parto maravilhoso...Gratidão Eterna!!!!    )O(

12 de dez de 2011

* Posições para alívio da dor nas contrações.


FONTE: REVISTA CRESCER
Quando o trabalho de parto começa a incomodar, a grávida precisa de posições variadas que tragam alívio e conforto. Sob orientação de Ana Cristina Duarte, sugerimos algumas. São simples e podem ser feitas ainda em casa e até no chuveiro. Relaxe! 

Dicas úteis:

As posições devem ser iniciadas assim que as contrações incomodarem.


  • Água morna é uma grande amiga da grávida porque alivia a dor e relaxa. Coloque toalhas dobradas sobre o chão do boxe, caso queira se ajoelhar ou sentar.
  • Sempre que a contração vier, mantenha a respiração calma.
  • As posições que provocam mais incômodo do que alívio devem ser evitadas. Posição boa é aquela que conforta.
  • Dá para relaxar até mesmo no centro obstétrico. Se for possível, improvise com a maca, lençóis, travesseiros.


    Descanso sobre o solo: ótima para relaxar, especialmente se as contrações estiverem próximas umas das outras. Afaste os joelhos e abrace uma pilha de travesseiros.
    Repouso: no intervalo entre as contrações, os travesseiros no meio das pernas confortam, porque ampliam o espaço pélvico e da bacia.
    Posição de Sims: na contração, puxe o joelho para o corpo, afastando bem as coxas.
    Rotação: com as pernas afastadas, você deve apoiar-se em um móvel não muito baixo, como na foto. Aí, faça movimentos de rotação dos quadris. Entre as contrações, a postura alivia a dor nas costas. Durante, ajuda a encaixar o bebê.
    Cócoras alternadas: na contração, apoiada, agache com as pernas abertas. O movimento ajuda a aumentar o espaço interno da bacia e a encaixar o bebê. Entre as contrações, levante-se, mas mantendo-se inclinada.
    Dica: o ideal é agachar com a planta dos pés no chão. Se não der, use um travesseiro de apoio, como acima.
    Assimetria: na contração, ajoelhe sobre um apoio. A outra perna fica aberta. Alterne os lados. A posição ajuda o bebê a se encaixar.
    Massagem: sente ao contrário numa cadeira sem braços. O quadril fica afastado o máximo do encosto, para você receber massagem na região lombar durante as contrações.
    De joelhos: a posição estimula a abertura da bacia. Faça-a sobre um colchão ou almofadas, com os joelhos afastados, os dedões dos pés tocando-se e inclinando-se sobre um apoio, como na foto. Um travesseiro entre os tornozelos aumenta o conforto.
    Prece maometana: relaxa quando as contrações estão aceleradas. Abre a bacia e alonga as costas. Posições em que a mulher fica debruçada auxiliam o encaixe do bebê.
    De gatinhas: a postura facilita o encaixe do bebê e também diminui a pressão na parte debaixo da barriga e nas costas.
    A dois: a posição de cócoras abre o espaço interno da bacia, aliviando a dor. Durante as contrações, apóie-se em um lençol enrolado, sustentado por seu marido, e solte o corpo. O mesmo movimento pode ser feito com você apoiada nas pernas do companheiro, como na foto mais à direita.


  • ๖๔΅˚◦.Minha Arte.◦˚΅๖๔