25 de nov de 2011
20 de nov de 2011
O que é Pródromo?
O trabalho de parto é antecedido por um período preparatório denominado de pré-parto, período prodrômico (ou pródromo de trabalho de parto) ou período premonitório. Nesta etapa vários sinais estão presentes, demonstrando que o trabalho de parto e o nascimento do bebê se aproximam.
O período premonitório do parto ou período pré-parto é caracterizado pela presença de contrações, por vezes dolorosas, que ocorrem em intervalos e intensidade irregulares, não apresentando ritmo. Essas contrações não são efetivas para dilatar o colo uterino e constituem o chamado “falso trabalho de parto”, onde, embora haja contrações, não há alteração do colo do útero (ou seja, não há a dilatação do mesmo com progressão para o nascimento do bebê).
Nesta fase há a descida do fundo uterino (a barriga materna fica mais baixa), decorrente do encaixamento da cabeça do bebê na pelve materna. Essa descida da cabeça do bebê acarreta no aumento de dores lombares e dores nas articulações dos ossos do quadril da gestante. As vezes a única manifestação é uma sensação de “peso” na região supra-púbica (na região da bexiga).
Há ainda nesta fase, uma secreção exacerbada de muco pelas glândulas presentes no colo uterino, sendo eliminada uma secreção mucosa pela vagina, acompanhada ou não de sangue em pequena quantidade. Este sinal é chamado de perda de tampão mucoso.
O colo uterino fica mais amolecido e progressivamente mais curto ao toque vaginal (processo chamado de amadurecimento do colo).
Próximo ao final da gestação, as contrações se tornam mais freqüentes e intensas e a regularidade associada à dilatação do colo uterino caracterizam o trabalho de parto que se inicia.
Não é possível dizer o exato momento em que há a transição do período pré-parto para o trabalho de parto, pois o período premonitório do parto pode anteceder o parto em dias; e esta transição ocorre normalmente de forma gradual e quase insensível.
Sinais que podem aparecer e significam que o parto está próximo:
-Perda do Tampão Mucoso;
-Barriga mais baixa e facilidade para respirar;
-Intestino funcionando com maior frequência;
-Secreções vaginais aumentam;
-Dor lombar;
-Vômitos.
Fonte: http://www.cpdt.com.br/sys/interna.asp?id_secao=4&id_noticia=465
O período premonitório do parto ou período pré-parto é caracterizado pela presença de contrações, por vezes dolorosas, que ocorrem em intervalos e intensidade irregulares, não apresentando ritmo. Essas contrações não são efetivas para dilatar o colo uterino e constituem o chamado “falso trabalho de parto”, onde, embora haja contrações, não há alteração do colo do útero (ou seja, não há a dilatação do mesmo com progressão para o nascimento do bebê).
Nesta fase há a descida do fundo uterino (a barriga materna fica mais baixa), decorrente do encaixamento da cabeça do bebê na pelve materna. Essa descida da cabeça do bebê acarreta no aumento de dores lombares e dores nas articulações dos ossos do quadril da gestante. As vezes a única manifestação é uma sensação de “peso” na região supra-púbica (na região da bexiga).
Há ainda nesta fase, uma secreção exacerbada de muco pelas glândulas presentes no colo uterino, sendo eliminada uma secreção mucosa pela vagina, acompanhada ou não de sangue em pequena quantidade. Este sinal é chamado de perda de tampão mucoso.
O colo uterino fica mais amolecido e progressivamente mais curto ao toque vaginal (processo chamado de amadurecimento do colo).
Próximo ao final da gestação, as contrações se tornam mais freqüentes e intensas e a regularidade associada à dilatação do colo uterino caracterizam o trabalho de parto que se inicia.
Não é possível dizer o exato momento em que há a transição do período pré-parto para o trabalho de parto, pois o período premonitório do parto pode anteceder o parto em dias; e esta transição ocorre normalmente de forma gradual e quase insensível.
Sinais que podem aparecer e significam que o parto está próximo:
-Perda do Tampão Mucoso;
-Barriga mais baixa e facilidade para respirar;
-Intestino funcionando com maior frequência;
-Secreções vaginais aumentam;
-Dor lombar;
-Vômitos.
Fonte: http://www.cpdt.com.br/sys/interna.asp?id_secao=4&id_noticia=465
19 de nov de 2011
* Gestando Arte: Meu projeto de Pintura em Ventre.
Olá queridezas...Faz tempo que não apareço por aqui né...
Tem um ótimo motivo por sinal, tenho ficado bastante ocupada
com as artes em barriga que estou fazendo.
Vou colocar abaixo algumas fotos e 1 vídeo da minha primeira
barriga de gesso...Tudo feito com carinho e amor...^^
Espero de coração que gostem e continuem acompanhando...bjs.
Curta a página do GESTANDO ARTE no Facebook.
O Vídeo no You Tube...Obrigada Lilian...
E algumas das fotinhos do meu trabalho em outras barrigas lindas...
Ana a espera de Rodrigo...
Rose a espera do Pedro...

Ana a espera do João...
Patrícia a espera de Enzo...

Jéssica a espera de Ryan...

E a primeira menininha pintada...
Lilian a espera de Letícia Thiemi...

Jan a espera de Manu
Ana a espera de Benjamin
Marla a espera de Mariana
Vivi a espera de Lucas
Pri a espera de Madalena
Denise a espera de Lucas
Fonte do Vídeo: www.nurselilian.blogspot.com
16 de out de 2011
* Parteira Suely fala sobre o primeiro direito...O Nascer!
Sou suspeita em falar dela...Sou apaixonada por esta mulher!!!
Ela me passa uma calma, transparência e amor indescritível.
Abra seu corpo e sua alma...e deixe fluir estas palavras...)O(
*Será que estou em trabalho de parto?

O trabalho de parto é diferente de mulher para mulher, e é impossível determinar exatamente quando ele começa. Não é algo repentino; são várias mudanças fisiológicas que acontecem ao mesmo tempo no seu corpo para fazer com que você dê à luz.
Veja a seguir algumas coisas que podem ocorrer nas semanas ou dias que antecedem o trabalho de parto:
Veja a seguir algumas coisas que podem ocorrer nas semanas ou dias que antecedem o trabalho de parto:
- Seu colo do útero ficará cada vez mais fino e macio (ou "apagado", como dizem os médicos) e dilatado -- até 10 centímetros. Isso é determinado pelo exame de toque feito pelo obstetra ou pela enfermeira. Mas pode haver dilatação sem que o trabalho de parto comece de verdade.
- As contrações acontecem em intervalos regulares e cada vez mais curtos, ficando mais intensas conforme o tempo passa.
- Você pode ter dor na região lombar das costas, muitas vezes acompanhada de uma cólica parecida com a pré-menstrual.
- Você pode notar uma secreção de muco amarronzada ou com traços de sangue, o chamado "sinal". Se seu tampão de muco, que cobre o colo do útero, sair, o trabalho de parto pode ser iminente -- ou pode demorar mais uns bons dias. De qualquer jeito, é uma indicação de que as coisas estão caminhando.
- Sua bolsa rompe. Mas você só estará em trabalho de parto se as contrações também estiverem presentes. Caso você não tenha contrações mesmo depois do rompimento da bolsa, você provavelmente terá que passar por uma indução, que se não der certo acabará em uma cesariana, já que o bebê corre mais riscos de contrair uma infecção sem a proteção do saco amniótico contra germes. Para saber se está ou não perdendo líquido amniótico, coloque um absorvente limpo e depois de meia hora observe se ele está seco, úmido ou encharcado. Essa informação será importante para o médico.
Quando devo procurar o médico?
Você e seu médico já devem ter conversado sobre quando você deve avisá-lo se achar que está em trabalho de parto. Mesmo se você não tiver certeza, não fique com vergonha de ligar e perguntar. Os médicos estão acostumados com esse tipo de telefonema por parte de mulheres que não sabem ao certo se a hora está chegando e precisam de orientação -- faz parte do trabalho deles.
O mesmo vale para os profissionais de um posto de saúde ou hospital público. Saiba para onde deve ir na hora em que achar o bebê está para nascer.
E o fato é que o médico já consegue saber bastante coisa apenas pelo tom da sua voz, portanto esse tipo de comunicação só tem a acrescentar. Ele vai querer saber de quanto em quanto tempo as contrações estão acontecendo, se você consegue andar enquanto está tendo uma contração e todos os outros sintomas que você possa estar sentindo.
Alguns médicos pedem que a mulher tome um banho morno, para ver se as contrações diminuem. No trabalho de parto verdadeiro, elas dificilmente diminuem com essas medidas.
Também não deixe de avisar se você acha que o bebê está se mexendo menos que de costume (se não der nenhuma mexidinha em duas horas) ou se tiver algum sangramento vaginal (que não seja um pouco de muco com traços bem pequenos de sangue), ou se tiver febre, dor de cabeça muito forte, perturbações de visão ou dor abdominal.
O mesmo vale para os profissionais de um posto de saúde ou hospital público. Saiba para onde deve ir na hora em que achar o bebê está para nascer.
E o fato é que o médico já consegue saber bastante coisa apenas pelo tom da sua voz, portanto esse tipo de comunicação só tem a acrescentar. Ele vai querer saber de quanto em quanto tempo as contrações estão acontecendo, se você consegue andar enquanto está tendo uma contração e todos os outros sintomas que você possa estar sentindo.
Alguns médicos pedem que a mulher tome um banho morno, para ver se as contrações diminuem. No trabalho de parto verdadeiro, elas dificilmente diminuem com essas medidas.
Também não deixe de avisar se você acha que o bebê está se mexendo menos que de costume (se não der nenhuma mexidinha em duas horas) ou se tiver algum sangramento vaginal (que não seja um pouco de muco com traços bem pequenos de sangue), ou se tiver febre, dor de cabeça muito forte, perturbações de visão ou dor abdominal.
O que devo fazer no comecinho do trabalho de parto?
Isso depende de você, da hora do dia e do que você estiver sentindo. Procure se manter calma e relaxada para ajudar na evolução do seu trabalho de parto e das contrações. Faça o que for mais gostoso para ficar tranquila.
Alterne entre caminhadas e um pouco de descanso, ou tome uma chuveirada morna para aliviar o desconforto. O descanso é bom para poupar o corpo do trabalho que o espera. Coma ou beba alguma coisa leve se tiver fome, pois no hospital você pode ser colocada em jejum.
Alterne entre caminhadas e um pouco de descanso, ou tome uma chuveirada morna para aliviar o desconforto. O descanso é bom para poupar o corpo do trabalho que o espera. Coma ou beba alguma coisa leve se tiver fome, pois no hospital você pode ser colocada em jejum.
Posso ter contrações sem estar em trabalho de parto?
Sim. Você pode estar com o chamado falso trabalho de parto se seu colo do útero não estiver dilatando, se as contrações forem irregulares e não forem ficando cada vez mais fortes ou se a dor que você sente na barriga ou nas costas melhorar logo, com um banho morno ou uma massagem.
Não é nada impossível ter contrações por três dias seguidos e mesmo assim não estar oficialmente em trabalho de parto. Se as contrações vierem em intervalos de cinco minutos, depois sete, depois oito, depois cinco, depois oito de novo, é provável que o corpo esteja só treinando. Arme-se de paciência e acompanhe as contrações, até elas pegarem ritmo e força.
Não é nada impossível ter contrações por três dias seguidos e mesmo assim não estar oficialmente em trabalho de parto. Se as contrações vierem em intervalos de cinco minutos, depois sete, depois oito, depois cinco, depois oito de novo, é provável que o corpo esteja só treinando. Arme-se de paciência e acompanhe as contrações, até elas pegarem ritmo e força.
Dá para saber se o trabalho de parto vai acontecer logo?
Às vezes. Embora você não saiba de nada, seu corpo começa a se preparar para o parto cerca de um mês antes de o bebê nascer. Quando o trabalho de parto de verdade começa, em muitas mulheres o colo do útero já tinha começado há tempos a dilatar e afinar.
Também são sinais da aproximação do trabalho de parto:
Também são sinais da aproximação do trabalho de parto:
- O bebê encaixa (a barriga fica mais baixa)
- Aumento na secreção vaginal
- Aparecimento de um "sinal" (uma secreção mucosa amarronzada ou com traços de sangue)
- Contrações de treinamento mais frequentes e mais fáceis de notar
30 de set de 2011
*A MAGIA DE UM AMBIENTE NATURAL: O NASCIMENTO DE EPHREM

Clara, italiana, conta o nascimento de Ephrem nas aguas do oceano.
Como foi que acolhemos nosso primeiro filho na água transparente do oceano
Publicado na edição de verão de 2004 da revista inglesa The mother magazine
Tentei muitas vezes escrever esta história, com decepção. Faltava alguma coisa, mesmo que aparentemente não tivesse deixado escapar nenhum detalhe. Um dia reli as sábias palavras de Jeanine Parvati Baker, que falavam da expêriencia xamânica e espiritual do nascimento (Rituals for birth, The Mother magazine, Primavera de 2002), folheei o livro de Vicki Noble « Shakti woman » (O despertar da deusa), e compreendi.
Minhas tentativas de conto até então eram a profanação de um momento sagrado. Era necessário que eu falasse sobre a história de modo diferente, tocando a essência da experiência, que não tem nada, absolutamente nada a que ver com qualquer tipo de medida (tal como tempo, dilatação, contrações) e outros eventos de ordem prática. Tudo isso, de fato, se encontra fora, ao invés de dentro. Queria encontrar palavras diferentes, uma outra língua, uma outra perspectiva para compartilhar o que aconteceu naquele momento especial da minha vida. Queria mergulhar de novo naquele fantástico estado alterado de consciência para ser sincera, acurada e incisiva. Queria esquecer tudo que tinha lido sobre partos, especialmente as imagens que tinha visto. Queria me distanciar da aparência e reconectar-me com a verdadeira essência.
Uma manhã muito cedo, à luz da lua que estava começando a minguar, percebi uma gelatina rosa e maravilhosamente perfumada entre as minhas pernas; voltei à cama nos braços acolhedores de meu marido Yann-Vai, com a certeza de que começava a mudar de estado. Se seguiram diversas horas de fruta tropical, de boa música, de amorosas atenções por parte de Yann-Vai, uma última massagem em Ephrem através de meu ventre ao perfume de incensos e óleos, enquanto começávamos a dançar juntos com os primeiros e gentis movimentos de meu corpo. Estava imersa nessas sensações desconhecidas. Como durante toda a gravidez me sentia tranquila e segura, a mensagem de Ephrem continuava a ser clara, tudo era perfeito e estava procedendo como deveria.
O importante era que eu permitisse acontecer, permitisse acontecer, aceitasse..
De um momento a outro senti que havia chegado o momento de partir para a praia, levando tudo o que pensávamos precisar (hoje prepararia a metade, ou ainda menos!) com uma espécie de “calma excitação”. Apenas terminamos de preparar a cama de folhas sob a magnífica árvore, que foi decorada com corais e conchas, e minha dança começou a ter um sabor diferente. Queimavam incensos de rosa e jasmim. Antes tinha conversado com Yann-Vai, tinha comido, pouco antes estava em um estado ainda “normal”, mesmo que num particular estado emocial.
A partir daquele momento estava presente exclusivamente para dar a luz. Estava incrivelmente distante, mas capaz de me dar conta da presença de um cachorro antes mesmo que fosse possível vê-lo ou escutá-lo.
Yann-Vai continuou a preparar a praia, arrumando um grande fogo para aquecer a água que queríamos usar para o primeiro banho de Ephrem. Veio comigo todas as vezes que desejei entrar na água do mar e seguir as ondas, estava atento para que não chegasse ninguém e pediu aos poucos que ali chegaram que partissem. Foi um dia de vento, fresco e nublado, apenas poucas pessoas passaram por ali. Tratava-se de uma praia pouquíssimo frequentada, exceto por alguns pescadores, com quem tínhamos conversado e que respeitaram nosso pedido de intimidade.
Ele realmente me protegeu e cuidou de mim naquele momento.
Estava sintonizando-me com outras realidades e outros ciclos. Meu corpo estava seguindo as sugestões que chegavam de todos os elementos. Lembro claramente como me senti um canal entre o céu e a terra: um potente raio de luz e calor estava me preenchendo, até que me tornei simplesmente uma com o todo.
Senti o solo sob meus pés, a macia areia de corais, a sábia vitalidade da enorme árvore que me oferecia suporte quando sentia necessidade, senti a água do oceano plena de ressonâncias e de mensagens que se misturavam na água desta lagoa, senti o vento.
Água de mar e vento me davam movimento, o solo e a árvore estabilidade, o céu e a terra abertura e raíz.
Nesse profundo gozo da dança da vida, tive confiança no meu corpo que estava procurando o que necessitava: mudança de posição, água do mar ou raíz da árvore, uma gota de ylang-ylang ou algumas de floral rescue. Movia-me e me comportava como imersa em um sonho, seguindo o instinto primordial.
Tantos e tantos círculos do infinito desenhados com minha cintura. Estava me trasformando e redescobri minha voz, aquela animal. Era a voz de um tigre.
Estava em outro espaço, perto das estrelas e dos espíritos.
Lembro bem a minha surpresa ao pôr do sol, tinha perdido toda a referência com o correr do tempo, me pareceu uma tarde tão curta!
UM SOPRAR DE VENTO, O BATER DAS ASAS DE BORBOLETA!
Subitamente, me levantei e disse a Yann-Vai: “Devo entrar na água” – percorrendo os poucos metros que me separavam da beira do mar, toquei e senti com a mão a cabeça de Ephrem que estava surgindo.
Ao cintilar da lua, no silêncio do crepúsculo, o vento parou por um segundo. Como uma rainha escorreguei no mar, de joelhos acolhi Ephrem, que leve como um anjo veio me encontrar. Imprimiu-se no profundo de minha alma seus fantásticos olhos abertos a me procurar, e seu rosto pleno de sabedoria.
Foi a eternidade.
Como uma rainha me levantei e tornei a nossa cama de folhas tendo Ephrem perto de meu coração, ainda ligado a mim pelo cordão umbilical.
Esta é a história da vinda à luz de Ephrem e é também a história de Clara, ainda uma jovenzinha apesar dos seus 34 anos, que após nove intensos e belos meses de preparação, através da abertura de si mesma fez a experiência da conexão através do céu e da terra, aceitou o mistério e a perfeição da vida, compreendeu sua posição no universo, finalmente recebeu sua iniciação como mulher. E tornou-se mãe.
Honramos o silêncio e o mistério, agradecemos o milagre da vida.
Para dizer a verdade houve também outros momentos. A nossa base teórica era o livro de Leboyer “Si l’enfantemente m’etait contè” (Diário de um nascimento); não conhecíamos Michel Odent ou a arte da obstertrícia espiritual. Não sabíamos que existia um nome para aquilo que fazíamos:unattended childbirth, parto não assistido. Não conhecíamos ninguém que o tivesse feito. Em um certo sentido éramos pioneiros e o conhecimento no qual nos basavamos era ainda cheio de medos e levemente medicalizado. Foi depois que me liberei de muitas amenidades obstétricas comumente aceitas, mas inúteis.
De tanto em tanto tive medo, por exemplo pedi a Yann-Vai que me inspecionasse por via vaginal porque eu queria “saber” se estava procedendo. Ele não era preparado para reconhecer o grau de dilatação, mas foi inteligente o suficiente para me dar confiança dizendo “está dilatado, está ainda mais dilatado e portanto com certeza aquilo que toco è uma cabeça”. De tanto em tanto me perguntei se seria capaz de continuar a respirar, ou se poderia tolerar ainda por mais tempo aquela estranha sensação no ânus, ou quanto faltava até a fase de transição.
Tratava-se da minha mente, de uma incapacidade de deixar-me levar incondicionalmente.. Ou talvez a liberação necessária de alguns dos meus medos.
Em um certo momento Yann-Vai me perguntou qualquer coisa e eu o olhei estranhamente. Fiquei um pouco em silêncio para dizer-lhe que não estava ali para conversar. Essa sua pergunta me incomodou muito. Ele então não me voltou a palavra antes do momento do parto.
O lugar que tínhamos escolhido era fantástico, embora hoje teria escolhido um canto mais acolhido, mais íntimo, mesmo somente a árvore ali próxima teria sido bom. Preferimos aquela mais majestosa por sua beleza, mas não demos importância ao fato de que estava no centro. Aberto a leste, oeste e para a beira do mar, me oferecia uma modesta sensação de proteção.
Ephrem não procurou o seio naquela noite (a primeira vez foi após uma longa noite de sono), cortamos o cordão (depois que parou de pulsar, mas sempre muito cedo, com nossos sucessivos filhos deixamos o cordão intacto), Yann-Vai ofereceu a Ephrem o primeiro banho na água de mar morna (sem tirar o casex), eu esperei a saída da placenta, mas no fim foi Yann-Vai a tirá-la. Essa história da placenta devo ainda estudar bem, na procura do que me impediu de aceitar e de atuar na separação da “inner mother”, a mãe interna.
Tornamos à casa e econtramos na caixa postal uma carta de Israel com o significado do nome Ephrem: ENTRE MAR E TERRA… FERTILIDADE!
Agradeço ao poder da natureza e à energia da vida que me apoiaram e me ofereceram uma experiência tao mágica. Que sejam abençoadas.
Posfácio
Desde o início da gravidez recebi e aceitei a mensagem de que tudo andava bem e a partir da quarta lua soube que seria possível realizar o parto sem assistência. Eu e meu parceiro Yann-Vai decidimos andar às ilhas Mauricio antes dessa consciência, mas com a intenção de aproveitar o mar morno e transparente. Pensava em um parto na água nao só pela incrível atração por esse elemento. A vida é uma maravilhosa fonte de sugestões, e assim foi que anos antes tive o privilégio de visitar Flores, a ilha mais ocidental dos Açores. Naquele paraíso encontrei um casal ítalo-frances que tinha apenas tido seu filho em casa; naquele tempo eu absolutamente não me interessava por esse argumento. Nao conversei nada de especial com aquela mulher sobre sua experiência, mas foi a primeira vez que ouvi falar de um parto fora do contexto hospitalar, e nunca mais me esqueci. Naquele período era mais interessada em romances, filmes, “cultura”, assim me emprestaram diversos livros, entre os quais um de uma autora portuguesa que contava a odisséia das mulheres açoreanas obrigadas a parir sem assistência, de como muitas delas foram condenadas à morte após inúteis sofrimentos, etc. Não posso explicar de modo lógico, mas desde então conservei uma espécie de “semente” dentro de mim, como uma marca subliminar: claramente alguma coisa não batia, e terei que investigar mais a fundo. Não muito tempo depois disso visitei Berlim para uma mostra intitulada “Meergeboren”, nascido no mar; nao dei muita importância por tudo aquilo que estava na exposição sobre o tema do nascimento (a mostra era genericamente sobre nossa relação com o mar. Posteriormente, depois da chegada de Ephrem, me dei conta que tinha algma coisa sobre Crhis Grisgom que paria no oceano). Conservo ainda a vívida lembrança de mim mesma deitada em um colchão d’água enquanto ouvia o canto das baleias e sentia profundamente como era correto aceitar que a origem da vida seja no oceano. Foi como nutrir aquela semente que já guardava em mim: uma louca mistura dessas ilhas maravilhosas cheias de cachoeiras, lagos vulcânicos, ondas vigorosas do oceano aberto com a idéia de parto em casa que foram para mim uma espécie de chamado, e a compreensão da origem da vida.
Certo, em Flores se tratava de um parto em casa, mas um lugar assim rico de águas doces e salgadas me inspirou – a mostra não se tratava especificamente de nascimento, embora ambas as experiências tenham sido para mim uma espécie de chamado – desde então nao duvidei nunca do fato de que procuraria aquele tipo de situação para meu próprio parto.
A força das coisas e dos anjos me trouxeram Yann-Vai como amante e pai, um jovem homem de 24 anos que conhecia a obra de Leboyer e também a história de waterbabies russi – que coincidência!
…………………………………………
Clara Scropetta é italiana, mãe e guardiã do nascimento. Depois de formar-se em Química e Tecnologia Farmacêutica, estudou várias disciplinas complementares para chegar à uma visão da saúde como o equilíbrio dinâmico de relações que se manifesta como beleza e felicidade. Clara crê que a cura do processo do nascimento seja um ponto chave para recuperar o bem estar pessoal e social. “Foi a própria maternidade que me iniciou nesta visão, e são meus três filhos os preciosos aliados nesta busca. Estou-me reeducando com fervor a um estilo de vida respeitoso, sóbrio e consciente (ecológico profundo) e na recuperação das competências maternas. Em meus escritos ofereço a minha opinião pessoal sobre temáticas do período primal (do concebimento à primeira infância) esperando inspirar à reflexão e à experimentação pessoal”. Clara tem três filhos, todos nascidos em casa de forma instintiva, sem acompanhamento.
Revisado pelo Grupo de textos da Parto do Princípio - fonte original deste relato, vale conferir os outros tantos no mesmo site...Aproveite e deguste o site todo...tem muita coisa boa por lá...)O(
12 de set de 2011
* Venha Participar Conosco!!!!
No dia 24 retomaremos os encontros de apoio as gestantes da Zona Norte e Redondezas.
Devido a correria na vida das organizadoras (inclusive na minha...rs) demos um tempo de tudo.
Agora está mais do que na hora de voltarmos a nos encontrar, conversar, tirar dúvidas e dar apoio.
Será uma tarde leve, onde iremos conversar sobre diversos assuntos pertinentes a gestação e parto.
Irei levar meus filhos comigo, por isso quem já tiver crianças sinta-se a vontade de levar pois estaremos conversando, olhando e cuidando delas mutuamente...Pois somos uma rede de mamães unidas...^^
Seria interessante levarmos comidinhas, frutas e algo pra beber como sucos...Faremos um pique-nique!
Qualquer dúvida entre em contato comigo ou com a Priscila Rezende...Contamos com sua presença.
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