22 de mai de 2011

* Quando o «toque» é um abuso obstétrico.


NÃO ME TOQUE!!!!
O toque vaginal não tem de ser um exame assustador, nem doloroso.
Desde que seja realizado com o devido cuidado, não seja repetido várias vezes
e seja sempre a mesma pessoa a fazê-lo. O que nem sempre acontece.

Ter um filho nos braços faz esquecer as dores de parto, faz esquecer as longas horas de espera, faz esquecer os medos e as ansiedades. Mas há coisas que ficam, que são impossíveis de esquecer.

A pior recordação que Dora Carranço guarda do nascimento da sua filha Joana, em 2004, são os «vários toques ao longo das 16 horas de trabalho de parto».
Sem dilatação, sem dores, Dora foi para o hospital após terem rebentado as águas, mas sem nenhum sinal de parto.
Enquanto lá esteve, sentiu-se «tratada como um animal, com toda a gente a mexer e a emitir uma opinião sem explicar o que quer que fosse». À meia-noite, quando a equipa mudou, Dora teve quatro médicos e quatro enfermeiras a fazer-lhe o toque e a falarem entre si como se mais ninguém ali estivesse. «Uma autêntica violação», descreve.

Com a segunda filha, Inês, em 2007, a experiência não foi melhor. Na véspera de completar 36 semanas, teve uma pequena perda de sangue, sem dor associada. Dirigiu-se ao hospital, a conselho da médica que a seguia, e depois de vários toques «muitíssimo dolorosos», por parte de duas médicas «novinhas», as opiniões dividiam-se: «uma dizia que o colo do útero estava mole, outra menos mole». A Inês acabou por nascer poucas horas depois. Dora acredita que os toques contribuíram para acelerar o parto. Felizmente, a bebé nasceu bem e nem precisou de incubadora.
As grávidas, tal como todos os pacientes, têm direitos e um deles é «o direito ao consentimento livre e esclarecido», descrito na Carta Europeia dos Direitos dos Pacientes, no Código Deontológico dos Médicos, no Código Deontológico dos Enfermeiros e na Carta dos Direitos e Deveres dos Doentes,  publicada pela Direcção-Geral da Saúde.

Em resumo, os quatro documentos dizem que todos os pacientes devem ser informados e
consultados sobre todos os procedimentos a que poderão ser sujeitos.

Mas, na prática, a observação ou exame vaginal, procedimento vulgarmente chamado «toque», é bastante desvalorizado neste aspecto.

Histórias como a de Dora são comuns nas maternidades portuguesas. Médicos e enfermeiros pedem apenas às mulheres em trabalho de parto que dêem «um jeitinho» para poder observá-las, sem uma explicação objectiva, e repetem o procedimento vezes sem conta.
Para fazer este exame, a mulher tem de estar deitada de costas, com as pernas afastadas e dobradas sobre os joelhos. Depois, o profissional de saúde introduz dois dedos na vagina até alcançar o colo do útero, para avaliar o seu estado de maturação, apagamento ou dilatação.
Embora invasivo, o exame, se for apenas uma mera observação, é rápido e não deve ser doloroso. Já os toques consecutivos são desnecessários, incomodativos e têm riscos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) determina que «o número de exames vaginais deve ser limitado ao estritamente necessário; durante a primeira parte do trabalho de parto [dilatação], habitualmente, um exame vaginal de quatro em quatro horas é suficiente».
No documento Care in Normal Birth – a pratical guide explica-se ainda que «se o parto decorrer serenamente, profissionais de saúde experientes podem limitar o número de exames vaginais a um. Idealmente, a observação necessária para determinar que existe parto ativo, ou
seja, dilatação».

Apesar disso, o número de toques vaginais a efetuar durante o parto dificilmente gera consenso.

ANTES DAS LUVAS NÃO SE FAZIAM TOQUES
No Hospital de São João, no Porto, «o número de toques varia imenso conforme a situação clínica», explica Marina Moucho, médica responsável pelo bloco de partos da maternidade. «Se o parto for rápido pode quase não haver toques, se for demorado o número de toques aumenta», continua.
O Hospital não tem qualquer protocolo ou conduta estabelecidos sobre este procedimento. Cada equipa gere a situação consoante a própria sensibilidade. Idealmente, «só toca a paciente a enfermeira responsável e, em caso de ser necessário, o médico».
No entanto, lembra a obstetra, «o turno de enfermagem muda de oito em oito horas e o turno médico de 12 em 12, o que num trabalho de parto arrastado pode dar origem a muita gente envolvida».
Lúcia Leite, enfermeira de saúde materna e obstétrica no Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, e responsável pelo projecto Pelo Direito ao Parto Normal – Uma visão partilhada, explica que o normal é «fazer-se uma primeira avaliação para saber se há trabalho de parto activo e para saber se está tudo dentro dos padrões normais e expectáveis».
Depois de iniciada a dilatação, a regra é que se faça uma observação «de hora a hora».
Lúcia Leite acrescenta que, no entanto, tal não é necessário «se for sempre a mesma pessoa a acompanhar o parto e se não existir nenhuma intercorrência, como desaceleração dos batimentos cardíacos do bebé, cordão descido ou perda de sangue».
E justifica: «É indiferente saber se uma mulher está com cinco ou com seis centímetros de dilatação».
Sobre a recomendação da OMS – fazer uma observação de quatro em quatro horas é suficiente – a enfermeira explica que exige hábitos e conhecimentos que, entretanto, desapareceram: «Em Portugal, perdeu-se a capacidade de avaliar por palpação abdominal. Os colegas que sabem avaliar desta forma não fazem toques, a não ser que estranhem a duração do parto. Esperam que a mulher dê sinais. Antes não havia luvas e os toques eram mesmo restringidos. Hoje tem-se material para tudo», lamenta a enfermeira.
No livro Iniciativa Parto Normal, editado pela Associação Portuguesa de Enfermeiros Obstetras, os toques vaginais são descritos «como uma fonte de ansiedade» para as mulheres, «uma vez que invadem a sua privacidade e intimidade, resultando incómodos e inclusive dolorosos».
Assim, apela-se à utilização de outras técnicas menos invasivas para avaliar a evolução do parto, tais como: palpação abdominal, interpretação do comportamento e dos sons maternos (expressão facial, palavras e acções).
Lúcia Leite acredita que estes hábitos são recuperáveis «com motivação e incentivo». Inquestionável, para a enfermeira, é a necessidade de solicitar o consentimento da mulher antes de efectuar o exame vaginal: «A mulher tem de autorizar o toque», afirma, admitindo que muitas vezes as pacientes são pressionadas para dizerem que sim.
Basta, que o médico ou enfermeiro ponha a questão desta forma: «Vamos fazer o toque sim?»
E se a mulher não quiser ser sujeita ao exame naquele momento? Se achar que já chega de toques? Se o profissional de saúde não estiver a ter a sensibilidade adequada ao momento? Lúcia Leite admite que será «difícil» a uma mulher em trabalho de parto opor-se.
«É muito complicado, principalmente quando não há uma relação prévia. Ninguém se conhece, podem surgir mal-entendidos.» O ideal seria que paciente e profissionais de saúde se conhecessem, que tivessem tempo para estabelecer uma relação, que fosse apenas um profissional a acompanhar o parto.
Nestas condições, tudo seria mais fácil e fluido. O ambiente seria, com certeza, mais leve e de confiança. «Estas questões são abordadas nos princípios do Projecto pelo Parto Normal», refere Lúcia Leite, explicando que o documento já foi assinado por vários profissionais ligados ao parto e certificado pela Direcção-Geral de Saúde e pela Ordem dos Enfermeiros, mas aguarda a certificação pela Ordem dos Médicos.
Apesar de estes problemas já terem sido identificados por alguns profissionais, ainda há muito por fazer. Por isso, Lúcia Leite aconselha os casais que não ficaram satisfeitos com o trabalho da equipa de obstetrícia a «escreverem uma carta bem fundamentada» e enviá-la para o hospital. Só assim os serviços de saúde podem ter uma ideia do descontentamento dos pacientes e mudar alguma coisa.
TOQUE PARA INDUZIR
Nem sempre o toque vaginal serve apenas para observar o colo do útero. Muitas vezes, vai além disso e o que o profissional de saúde pretende é adiantar o parto e favorecer a indução, acusa Sílvia Roque Martins, uma das fundadoras do projecto Mal Me Quer, que pretende denunciar o abuso obstétrico. Sílvia criou este projecto depois de reflectir sobre o seu primeiro parto «exemplo de tudo o que um parto não deve ser». Procurou saber toda a informação possível sobre o parto, consultou o seu processo médico e percebeu que tinha sofrido um descolamento de membranas, uma técnica que tem como objectivo descolar as membranas que constituem o saco amniótico. Trata-se de uma forma artificial de acelerar o início do trabalho de parto.  
Outro procedimento muitas vezes efectuado durante o toque é a amniotomia (ou rotura de membranas), que consiste em romper o saco amniótico durante o trabalho de parto para tentar que a dilatação avance. Ou seja, é uma forma de «rebentar as águas» de forma artificial. Marinha Moucho explica que «a rotura de membranas só deve ser efectuada quando há indicação para acelerar o trabalho de parto ou suspeita de sofrimento fetal com necessidade de monitorização». O procedimento é bastante desconfortável, pode causar uma pequena perda de sangue, e torna as contracções mais intensas e frequentes, logo aumenta a dor. Tanto o descolamento como a rotura de membranas necessitam do consentimento informado da paciente. Mas a experiência de Sílvia Roque Martins e os testemunhos que tem recolhido através do Mal Me Quer contam que, habitualmente, os profissionais de saúde «dizem apenas que vão fazer uma ‘maldade’ e não explicam nem perguntam nada». Esta foi uma das razões que levou o projecto a escolher o toque como primeiro tema a abordar no site www.malmequer.org. «É a forma de abuso obstétrico mais camuflada. As mulheres não percebem. Acham que é um mero processo avaliativo e não questionam», justifica.
Sílvia Roque Martins alerta ainda sobre alguns dos direitos das mulheres em trabalho de parto: «A observação por parte dos estudantes deve ser sujeita a consentimento. A mulher pode não querer ninguém na sala, para além do pai do bebé e da pessoa que a está a assistir. A mulher pode dizer que não quer ser atendida por determinado profissional». Sempre que estes e outros direitos não são respeitados estamos perante um caso de abuso obstétrico. E o que fazer quando isso acontece? «As mulheres em trabalho de parto não estão, muitas vezes, em condições de reagir. Nem isso é desejável, pois acaba por se instalar um clima de guerrilha que não é favorável ao desenrolar do trabalho de parto». Em vez disso, aconselha que se tente falar com um dos responsáveis pelo bloco de partos antes do nascimento para expressar os seus desejos e perceber quais as condutas habituais da maternidade.
Depois de uma experiência de parto negativa, Sílvia Roque Martins reconhece que «não é fácil fazer alguma coisa». Ela própria só voltou ao assunto três anos depois do nascimento da filha. «O bebé já cá está, já passou», justifica. «Trauma de parto é uma expressão que não diz nada à maioria dos profissionais de saúde ou psicólogos.» O Mal Me Quer tenta ajudar a ultrapassar esta situação e também a evitá-la, dando informações sobre legislação e procedimentos clínicos. Para além disso, «há que sarar a ferida à medida que o tempo passa, por conta própria». Dora Carranço arrepende-se de não ter feito nada. «Na altura não quis pensar mais nisso, nem aborrecer-me mais com o assunto. Ultrapassei ao vê-las bem. Foi essa a forma de ultrapassar este mau-trato». Mas isso, muitas vezes, não chega.
O TOQUE SERVE PARA AVALIAR
Posição do colo uterino: posterior, anterior ou intermédio;
Extinção (ou apagamento) do colo uterino: formado, isto é sem apagamento, 50% apagado, 80% apagado e apagado;
Dilatação do colo uterino: até dez centímetros;
Consistência do colo uterino: duro ou mole;
Descida e rotação da cabeça do bebé.
À medida que a gravidez se aproxima do fim, o colo vai progressivamente, orientando-se de posterior para anterior, encurtando, dilatando e perdendo consistência.

O TOQUE NÃO AVALIA
A compatibilidade feto-pélvica (proporção entre o tamanho do bebé e a pélvis da mãe);
Quanto tempo falta para o bebé nascer.

EFEITOS SECUNDÁRIOS
Aumento do risco de infecção: mesmo quando realizado com cuidado e com luvas, há sempre o risco de levar microorganismos da vagina ao canal cervical.
Interfere com a progressão normal do trabalho de parto.
Afecta a mulher emocionalmente: o toque invade a privacidade, pode ser desconfortável e obriga a mulher a uma posição pouco facilitadora do parto. Além disso, se se diz a uma mulher que tem quatro centímetros de dilatação e, passada uma hora e muitas contracções, depois de novo toque, se diz que ainda mantém os quatro centímetros, o sentimento vai ser de desânimo, quando o que se pretende é o contrário.
DURANTE A GRAVIDEZ
Sempre que a grávida se queixa de contracções, mesmo que a data prevista para o parto ainda esteja longe, é normal haver uma observação vaginal para verificar se existe ou não trabalho de parto.
É também hábito, entre os obstetras, efectuar o toque com periodicidade semanal nas consultas a partir das 38 semanas para avaliar se o colo do útero está a modificar progressivamente ao longo das semanas. E é numa destas consultas que, muitas vezes, fazem a tal «maldade» – descolamento de membranas – para acelerar o início do trabalho de parto. Se forem seguidas as recomendações da Organização Mundial de Saúde, que apontam sempre no sentido de, em situações normais, interferir o menos possível no processo natural do nascimento, não haverá necessidade de fazer toques antes do final da data prevista para o parto e, ainda menos, de descolamento de membranas.

15 de mai de 2011

* Concentre-se nos seios!






Esta técnica é especialmente para mulheres.






Simplesmente relaxe, mova-se para os seios, deixe seus seios tornarem-se todo seu ser
Deixe que o corpo todo seja apenas uma situação para os seios existirem, seu corpo tornou-se
secundário, apenas em segundo plano, e os seios são enfatizados.




E você está totalmente relaxada neles, movendo-se neles. Assim sua criatividade irá surgir
A criatividade feminina só surge quando os seios ficam ativos. Funda-se neles e você irá sentir 
a criatividade surgindo.




Os seios podem se tornar fontes de perfumes bem delicados que não são desse mundo, 
os quais não podem ser criados quimicamente; sons, sons harmoniosos serão ouvidos; 
toda a esfera da criatividade pode aparecer em muitas e novas configurações.





Tudo que aconteceu aos grandes pintores e poetas irá acontecer à mulher se ela puder 
fundir-se nos seios dela. E isso será tão real que irá mudar a personalidade total dela –
 ela se tornará diferente. E se ela prosseguir com essas visões, aos poucos elas cairão,
 e chegará o momento quando o nada, a vacuidade, o vazio acontecerá - shunyata acontecerá. Essa shunyata é a mais elevada das meditações.



14 de mai de 2011

* Livre demanda: o que é realmente - Dr. González



Picasso




um resumo do capítulo A Frequência e a Duração das Mamadas, do livro Un Regalo Para Toda La Vida, do dr. Carlos González.

Provavelmente, você já escutou que o peito se dá a demanda. Mas é fácil que lhe tenham explicado mal. É muito difícil erradicar da nossa cultura essa obsessão coletiva com os horários das mamadas. Parece que sempre foi assim. Alguns, ao ouvir falar da livre demanda, acham que é um invento dos hippies e com semelhante despropósito vamos criar uma geração de selvagens indisciplinados. Mas é justo o contrário, dar o peito à demanda é que sempre foi assim e os horários são uma invenção moderna. É verdade que algum médico romano já havia falado de horários, mas foi um caso isolado e naquele tempo as mães não perguntavam aos médicos como tinham que dar o peito. Praticamente todos os médicos do séc.XVIII recomendavam a amamentação a demanda (ou não recomendavam nada, porque, como a amamentação não é uma doença, os médicos não se ocupavam muito desse tema). Só a princípios do séc.XX começaram quase todos os médicos a recomendar um horário e mesmo assim poucas mães o seguiam, porque não havia saúde pública e os pobres não iam ao médico se não estivessem muito doentes. Só quando as visitas ao pediatras começaram a converter-se numa cerimônia regular, em meados do século passado, começaram as mães a tentar seguir um horário, com péssimos resultados.

Muita gente(mães, familiares, médicos ou enfermeiras) lê ou ouve isso de livre demanda e pensa: “Sim, claro, não é necessário ser rígidos com as três horas. Se chora 15 min. antes, pode-se dar o peito e também não é necessário acordá-lo se está dormindo”. Ou então: “Sim, claro, a demanda, como sempre disse, nunca antes de duas horas e meia nem mais tarde que quatro”. Tudo isso não é a demanda; são só horários flexíveis, que claro que não são tão ruins como os horários rígidos, mas continuam causando problemas. Livre demanda significa em qualquer momento, sem olhar o relógio, sem pensar no tempo, tanto se o bebê mamou faz 5 horas quanto se mamou faz 5 minutos.

Mas, como pode ter fome aos cinco minutos? Imagine que está criando o seu filho com mamadeira. Ele costuma tomar 150ml e, de repente, um dia, o bebê só toma 70 ml. Se aos cinco minutos, parece que tem fome, você dá os 80 ml ou pensa: “Como pode ter fome se faz só cinco minutos que tomou a mamadeira?”. Tenho certeza que todas as mães dariam a mamadeira sem duvidar um único minuto, de fato, muitas passariam mais de uma hora tentando meter a mamadeira na boca do bebê a cada cinco minutos. Pois bem, se um bebê solta o peito e ao cabo de cinco minutos parece ter fome, pode ser que só tenha mamado a metade. Talvez tenha engolido ar e se sentia incômodo e agora que arrotou já pode continuar mamando. Talvez tenha se distraído ao ver uma mosca e agora a mosca já se foi e ele percebeu que ainda tem fome. Talvez tanha se enganado, achou que estava satisfeito e agora mudou de opinião. Em todo caso, só esse bebê, nesse momento, pode decidir se precisa mamar ou não. Um especialista que escreveu um livro na sua casa no ano passado ou faz um século, ou a pediatra que viu o bebê na quinta passada e lhe recomendou um horário não podem saber que seu filho hoje, às 14:45 da tarde ia ter fome. Isso seria atribuir-lhes poderes sobrenaturais.

E qual o tempo máximo? É preciso acordá-los? Quantas horas podem estar sem mamar? Em princípio, as horas que queira. Um bebê saudável, que engorda normalmente, não precisa ser acordado. É distinto o caso de um bebê que está doente ou não aumenta normalmente de peso. Um bebê pode estar tão fraco que não tem força para pedir o peito. Nesses casos, é preciso oferecer o peito com mais frequência. Isso também pode aplicar-se aos recém-nascidos.

Quando o bebê dorme muito, muitas vezes não é preciso acordá-lo, mas sim estar atento aos seus sinais de fome. A demanda não significa dar o peito cada vez que chore. O choro é um sinal tardio de fome. Do momento que uma criança maior tenha fome até que chore podem passar várias horas. Do momento que um bebè tem fome até que chore podem passar alguns minutos, ou até mais, dependendo da personalidade do bebê. Mas é raro, que nada mais ter fome, comece a chorar. Antes disso terá mostrado sinais precoces de fome: uma mudança no nível de atividade (acordar, mexer-se), movimentos com a boca, movimentos de procura com a cabeça, barulhinhos, por as mãozinhas na boca...então, é quando se deve pô-lo no peito, não esperar que chorem. Se um bebê que está fraco porque perdeu peso está sozinho no seu quarto, fora da vista dos seus pais, é provável que dê estes sinais e ninguém perceba e ele volte a dormir por cansaço.

Dar o peito à demanda não significa que mame o que mame o bebê, sempre seja normal. Pois bem, também existem valores normais para a frequência e a duração das mamadas. O problema é que não sabemos quais os valores normais para o ser humanos. Porque o ser humano vive em sociedades, em civilizações, com nossas crenças e normas. As espanholas, há trinta anos, davam o peito dez minutos cada quatro horas. Não faziam o que queriam, o normal, mas sim o que havia indicado o médico ou o livro. Se no Alto Orinoco existe uma tribo que dá o peito cinco minutos a cada hora e meia, isso é o natural ou é o que recomenda o xamã da tribo?

Inclusive dentro da Europa há diferenças. Num estudo multinacional sobre crescimento dos bebês, observaram com surpresa que o número médio de mamadas ao dia aos dois meses de idade ia desde 5,7 em Rostock (Alemanha) até 8,5 no Porto, passando por 6,5 em Madrid ou 7,2 em Barcelona. Mulheres de cultura muito similar, que supostamente estão dando o peito à demanda. Como é possível que os bebês demandem mais peito num país que no outro?

A resposta é simples, mas inquietante. Acontece que a amamentação a demanda, o conceito em torno do qual gira esse livro não existe. Não existe porque os bebês não sabem falar. Se um bebê falasse, um observador imparcial poderia certificar: “Efetivamente, essa mãe está dando o peito à demanda”, porque às 11:23 a menina disse: “Mamãe, peito” e às 11:41 voltou a pedir, mas não lhe deu o peito até que pediu por terceira vez, às 11:57. Como os bebês não falam, fica a critério da mãe decidir quando está demandando ou não. Dois bebès choram, uma mãe lhe dá o peito no mesmo instante e a outra olha o relógio e diz: “Fome não é, porque não faz nem uma hora e meia que mamou, devem ser os dentes” e lhe dá um mordedor. Dois bebês mexem a cabecinha e a boca procurando peito. Uma mãe dá o peito, a outra nem percebe porque o bebê estava no berço e a mãe não o via. Dois bebês dizem: “angu”. Uma mãe pensa: “Ui, já acordou” e o põe no peito e a outra o olha embevecida e diz: “que lindo, já diz angu!”.

Por último, recordar que à demanda não só significa quando o bebê quer, mas também quando a mãe quer. É claro que as necessidades de um recém-nascido são totalmente prioritárias. Mas, à medida que o bebê cresce, cada vez sua mãe tem mais possibilidades de decidir quando dá o peito ou não. Vale ressaltar que um horário rígido é inadequado em qualquer idade e sempre convém que o bebê decida a maioria das mamadas. Mas não há problemas em adiantar ou atrasar um pouco alguma das mamadas.

Assim que, ao contrário do que muita gente pensa, a livre demanda não é uma escravidão, mas sim uma liberação para a mãe. A maioria das vezes pode fazer o que quer o seu filho, de modo que o bebê está feliz e não chora e portanto, a mãe também está feliz e não chora. E de vez em quando pode fazer o que ela quer. A escravidão é o relógio.





Disponível no Site do Mama - Mães que apóiam mães na amamentação

http://grupomama.blogspot.com/2009/01/livre-demanda-o-que-realmente.html

11 de mai de 2011

* Parteiras da Floresta









"As mãos de um punhado de mulheres fazem do Amapá a região recordista em partos normais no Brasil das cesarianas


Elas nasceram do ventre úmido da Amazônia, no extremo norte do Brasil, no Estado esquecido do noticiário chamado Amapá. O país pouco as escuta porque perdeu o ouvido para os sons do conhecimento antigo, para a música de suas cantigas. Muitas não conhecem as letras do alfabeto, mas são capazes de ler a mata, os rios e o céu. Emersas dos confins de outras mulheres com o dom de pegar criança, adivinham a vida que se oculta nas profundezas. É sabedoria que não se aprende, não se ensina nem mesmo se explica. Acontece apenas.


Esculpidas por sangue de mulher e água de criança, suas mãos aparam um pedaço ignorado do Brasil. O grito ancestral ecoa do território empoleirado no cocuruto do mapa para lembrar ao país que nascer é natural. Não depende de engenharia genética ou operação cirúrgica. Para as parteiras, que guardaram a tradição graças ao isolamento geográfico do berço, é mais fácil compreender que um boto irrompa do igarapé para fecundar donzelas que aceitar uma mulher que marca dia e hora para arrancar o filho à força.

Quase 90% da população do Amapá, composta de menos de meio milhão de habitantes, chega ao mundo pelas mãos de 752 "pegadoras de menino". Campeão no Brasil em partos normais - e ostentando o segundo mais baixo índice de mortalidade infantil -, o Estado fez do nascimento tradicional uma política pública. Encarapitadas em barcos ou tateando caminhos com os pés, a índia Dorica, a cabocla Jovelina e a quilombola Rossilda são guias de uma viagem por mistérios antigos. Cruzam com Tereza e as parteiras indígenas do Oiapoque, onde já começou o Brasil. Unem-se todas pela trama de nascimentos inscritos na palma da mão. "Pegar menino é ter paciência", recita a caripuna Maria dos Santos Maciel, a Dorica, a mais velha parteira do Amapá. Aos 96 anos, mais de 2 mil índios conheceram o mundo pelas suas mãos pequenas, quase infantis. Dorica - avó, mãe, madrinha - nem mesmo gostaria de possuir o "dom". "O dom é assim, nasce com a gente. E não se pode dizer não", explica. "Parteira não tem escolha, é chamada nas horas mortas da noite para povoar o mundo." O espectro quase centenário é visto quando se navega pelos rios do Oiapoque iluminado apenas por uma lamparina. Viaja acompanhada da irmã Alexandrina, de 66 anos. "Mulher e floresta são uma coisa só", compara Alexandrina. "A mãe-terra tem tudo, como tudo se encontra no corpo da mulher. Força, coragem, vida e prazer." Quando os remos cortam o rio, são perseguidos pelos olhos fosforescentes dos jacarés. "Não tem perigo. Eles só comem cachorro e sandália", tranqüiliza Dorica. "Abrimos o bucho de um, dia desses, e era só o que tinha." Dorica lembra dos 16 abortos do próprio ventre, ela mesma impedida de ter um filho por desígnios que não lhe cabem invocar.


Está cansada, confidencia. "Queria pedir a Deus o meu aposentamento de parteira." Deus é ainda menos apressado que o ministro da Previdência: até agora, não deu resposta ao pedido. Assim, Dorica crava os pés nus no chão sempre que alcança o destino e acocora-se entre as pernas da mulher. Alexandrina abraça o corpo da gestante com as pernas, por trás. Das entranhas do corpo feminino Dorica nada arranca, apenas espera. "Puxa" a barriga da mãe endireitando a criança, lambuzando o ventre com óleo de anta, arraia ou mucura (gambá) para apressar as dores. Perfura a bolsa com a unha se for preciso e corta o cordão umbilical com flecha se faltar tesoura. "Pegar menino é esperar o tempo de nascer", ensina. "Os médicos da cidade não sabem e, porque não sabem, cortam a mulher." No escorrer de oito dias, Dorica abandona a roça de mandioca.


É missão da parteira lavar, cozinhar, "puxar" o útero para que a mulher fique sã. É obrigação pentear o seio para que o leite jorre entre os lábios do menino. É sabedoria aspirar o nariz do bebê com a boca até ouvir o choro. Cumpridas as etapas, Dorica entrega a mulher ao marido: "O que eu podia fazer pela sua mulher eu já fiz. Agora você tem de cuidar da família". O marido agradece. "Se eu puder lhe dar alguma coisa, lhe dô." E Dorica responde: "Deus dá o pago". E o diálogo se encerra. É tudo. E é assim há mais de 500 anos. Dos mais de 2 mil partos consumados no chão da Amazônia, Dorica só perdeu três. Não passa um dia sem lamentar. "É uma criança que faltou na comunidade", constata. Na cultura dos povos da floresta, ninguém é substituível. Ou descartável. A vida que feneceu antes de vingar será chorada para sempre. Brasil de cesarianas · 24% dos 2,6 milhões de partos anuais são cirúrgicos · Mato Grosso do Sul é o recordista, com 40,46% · Apenas entre 5% e 10% dos partos requerem cirurgia · A cada 10 mil partos normais morrem duas mulheres. A cada 10 mil cesarianas sucumbem sete · O SUS paga R$ 194,79 por parto normal e R$ 293,84 por cesariana A parteira dá adeus enquanto a canoa some no rio. A arara a observa de um galho, um bando de papagaios corta o céu em algazarra, uma menina se banha no igarapé antes da escola. Dorica pousa a mão no velho coração e, pronunciando palavras silenciosas, arranca de lá a bênção aos que partem. Depois, dá as costas e vai pitar tabaco enquanto espera a hora em que o quinto filho de Ivaneide Iapará irá esmurrar a porteira do mundo pedindo passagem.

As parteiras da floresta comungam da religião católica. Algumas adotaram as pentecostais. Outras são espíritas, batuqueiras. Mas no coração vive uma religião antiga, em que a grande deidade era feminina. Aquela que governa o nascimento-vida-morte, presente-passado-futuro. No tempo dos ancestrais, a relação entre o sexo e os bebês era desconhecida, tabu insondável de onde surgiram os mitos da cobra grande ou do boto fecundador. Hoje, mesmo invocando um deus masculino, o Espírito Santo ou os orixás, elas guardam uma herança silenciosa em que o feminino é fonte de toda a vida, e cada mulher é a guardiã do mistério. Quando remam quilômetros por rios ou vão "de pés" para auxiliar uma igual a consumar o milagre da vida, o parto é símbolo de resistência, uma lembrança subversiva de que cada mulher guarda um pouco da deusa.

(...)


Está além da compreensão das parteiras da floresta que a vida se desenrole em berço de morte, no hospital, como se doença fosse. Para cada parteira, a dor primal é o prenúncio do êxtase do nascimento. Parto, com as devidas desculpas à condenação divina, não é sofrimento. É festa.

Valha-me Deus, ó Deus de misericórdia! As cordas que me ouvem haverão de me levar". Rossilda pega o rumo de cada parto acompanhada de outra parteira, Angelina. Em espírito invocado, porque Angelina deixou este mundo há muito. O segredo dessa dupla de vivente e não vivente não conta. "Senão, perde a valoridade." Quando a hora chega, vencidas as nove luas, os homens são despachados para não fazer zoada. Parto é festa feminina. Vem vizinha de todo canto, comadre e não comadre. Enchem a casa, fazem café e mingau e se põem a contar casos e piadas para distrair a barriguda. Rindo um pouco, rezando outro tanto, de branco dos pés à cabeça, Rossilda vai ajeitando a criança, vigiando a dor. Quando se vê, "lá vem o menino escorregando pro mundo". O pai é chamado então para engatilhar a espingarda e dar dois tiros para cima, se for menina, ou três, para o caso de ter nascido menino. Se for homem, mais um Joaquim ou Raimundo. Mulher, obviamente Maria. Se despede rimando, a Rossilda: "Tenho mão limpa e coração puro. Sou parteira, trago criança ao mundo".


A floresta das parteiras é assim, uma terra de cantorias. "Quem disse que não somos nada, que não temos nada, já se enganou. Repare nós organizadas e bem preparadas, com as parteiras estou...", cantarola Tereza Bordalo, de 51 anos, parteira desde os 16. Convoca as irmãs para o ritual de agradecimento, vai cumprimentando as amigas de Saint George, na Guiana Francesa, com um Bonsoir, ça va bien? No outro lado do Rio Oiapoque, são todas madames. Ou melhor, "madam". Como madam Marie Labonté, que penetra na mata em busca da pele das serpentes. "Tomando chá de pele de cobra, o menino nasce sem dor, oui?" Do fundo da floresta, as parteiras vão surgindo tímidas, silenciosas. As mãos da vida se agarram, os pés do caminho se plantam em círculo no útero da mata quando agradecem à divindade ao amanhecer. Assim como a criança, o dia nasce sem outra força que não seja a da natureza. Surge em hora precisa, sem que ninguém tenha de arrancá-lo do ventre da noite.


Elas erguem as velas pedindo iluminação no ofício. Invocam a terra, o rio e a floresta. É uma conversa de comadres, uma prosa ao pé do ouvido. A imagem primitiva parece falar a uma sociedade surda - esquecida do cordão umbilical com algo maior que o mundo forjado dentro do mundo. Do útero circular, a índia Nazira Narciso aviva a chama: "Índia, crioula, brasileira, é uma dor só. É tudo o mesmo chorar. O mesmo coração de mulher".


A roda se desfaz e as parteiras pegam a barca para singrar os rios da fronteira do Brasil. (...)


Fonte: -http://shaktilalla.blogspot.com/2010/01/as-parteiras-da-floresta.html

10 de mai de 2011

* Parto do Zion - Casa de Maria






A Gravidez...

Minha gravidez mesmo com todos os pesares naturais de uma, foi super tranqüila.
Passamos por todas as novidades juntinhos e ansiosos para a chegada de Zion.

Papai sempre calmo e confiante me apoiou sempre para ter parto natural.
Afinal ele bem sabia como eram feitos os parto de hospital, pois na época
trabalhava no Centro Obstétrico do Hospital Mandaqui.

E por mais que a equipe fosse e é, muito responsável e cuidadosa, sabia que
não chegaria nem perto do parto que tanto sonhávamos para nosso bebê.
Seria um parto frio, mecânico e talvez cheios de intervenções desnecessárias.

Minha vontade sempre foi ter um parto natural, se possível em casa de parto,
sem cortes, nem medicamentos e muito menos em ambiente hospitalar.

Durante as consultas do pré-natal, meu obstetra ficava me alertando sobre todos
os riscos de se tentar um parto natural, e que era coisa de doido irresponsável.
Tudo corria bem, mas ele não se cansava de me “azucrinar” com seus alertas.
Claro que sabíamos que poderia ocorrer complicações, mas eu pagaria pra ver.
Sempre tive certeza da minha natureza feminina, e que Deus em sua sabedoria
eterna...Nos fez aptas e perfeitas para parir nossas crias naturalmente.

Então decidimos que ganharíamos nosso Zion na casa de parto, Casa de Maria.
Visitamos a casa, conhecemos tudo e todos...Fomos tratados como em um hospital
particular, cheio de cuidados e carinhos...Incrível, a médica até nos deu carona.
E ela me incentivou a fazer o que sentia vontade, e me passou muita segurança.

Me contou que caso houvesse necessidade de internação por complicações, que
seria encaminhada pra sala de cirurgia no hospital que fica atrás da casa de parto.
E se fosse o caso, estaria sendo atendida para uma cesárea em 5 minutos apenas.
Tudo decidido, agora era só esperar...O porém era como chegaríamos lá...

Eu morava na ZN, freguesia do ó, e a casa ficava na ZL, Itaim Paulista...
Combinamos com meu tio de que ele nos levaria quando chegasse a hora.

Dia 03/10/2004 ás 13 horas...
Corremos para a casa de parto, pois eu estava sentindo leves contrações, mas como
era mamãe de primeira gravidez, não percebi que era só o comecinho...rsrsrs...
Chegamos lá, fomos super bem atendido, mas informados de que não era hora.
Ai ai ai, que coisa...Fiquei tristinha...Mas sabia que era normal isso acontecer.
Então voltamos pra casa e aguardamos mais um pouco a chegada de Zion.

Dia 05/10/2004 durante o dia...
Me sentia super bem disposta, com a corda toda...rsrsrs...Fazendo faxina, arrumando
gavetas e roupinhas...Aproveitamos pra montar o berço, a cômoda e todo o resto.
Fiquei por ali, andando de um lado pro outro, ansiosa em sentir a bolsa estourar...
Mas nada acontecia então decidi relaxar e ouvir música enquanto os meninos
Brincavam e os rapazes conversavam...Tudo normal até aquele momento...



06/10/2004 01:00 da madrugada...A Grande Noite...
Acordei com “coliquinhas’ leves,  

mas regulares...De 10 em 10 minutos...
Fiquei super feliz, pois estavam regulares e sentia que seria naquela noite.
Levantei quietinha e fui me preparar...Tomei um longo banho acariciando
a barriga dura e falando pro Zion que ele teria que me ajudar e ser corajoso.

Falava que estava feliz demais, e que era pra ele fazer força com a mamãe...
Durante o banho sentia as contrações mais fortes e menos espaçadas do que antes.
Após fazer toda a higiene pré-parto sozinha, saí, passei um café e arrumei o que faltava.

Após estar tudo certo, decidi acordar meu marido Tiago e ligar para meu tio Dinho.
Deixei isso por último pois queria sentir esse momento sozinha, me preparar sem
aquele nervosismo típico dos papais e homens normais...rsrsrs...e deu certo...
Quando ele acordou mesmo, se levantou correndo e já um tanto desnorteado.
Tomamos um café com meu tio e fomos pra casa de parto, que ficava longe.

Saímos de casa umas 3 horas da manhã, nos perdemos e chegamos na casa
De parto ás 5 e pouco...Não agüentava mais ficar deitada no carro...rsrsrs...

Meu tio a todo instante perguntava: - E aí, tá tudo bem?? Fala, grita, dá sinal.
E eu quietinha, encolhida e meditando o caminho todo, só queria respirar...
Quando estiquei meu corpo, ai que alivio, como era bom andar, andar e andar.
Dei entrada na casa e como sempre só faltou um tapete vermelho aos meus pés.

Em todos os momentos eu era avisada do que seria feito em meu corpo, e o que
estava acontecendo comigo e com o bebê, aferiram a pressão, fizeram cardiotoco 
e no fim de tudo pediram licença e verificaram a dilatação com delicadeza. 
Após constatarem o início do T.P, me encaminharam pra um quarto lindo, calmo
caloroso e intimista como todo lugar de se nascer deve ser...

Meu Tiago arrumou o som e me amparou até o banheiro, nessa altura da noite
eu já estava com sono e cansada, mas não soltava nenhum gemido, nada...
Sentia que se gritasse e me desesperasse, seria o fim...Gastaria força á toa.
Afinal eu tinha que ouvir meu corpo, meu filho e deixar o instinto me guiar.

Sentia que o Zion estava fazendo seu máximo, e que pra ele não estava sendo
fácil também...Aquilo me dava mais força pra fazer força...Força e Força.

Não queria sair de baixo do chuveiro quentinho, era um bálsamo pra mim.
Meu marido quietinho do meu lado só admirava aquele momento, e orava
para eu ser forte até o fim, como demonstrava estar sendo até aquele momento...

Hoje vejo o quanto ele me respeita e confia em mim, me deixou livre pra parir.
As dores não eram monstruosas, pois ouvia mulheres se acabando de gritar nos
outros quartos, e não entendia o porquê...cheguei a ficar com medo de não ter
chegado naquele ponto ainda...Mal sabia eu que já estava no fim...

Só queria sentir aquela dor mágica, que a cada contração me levava de encontro
com Deus, comigo mesma e com minhas ancestrais fêmeas...Mulheres sábias.
Sentia aquela dor com toda a alegria que se sente um prazer, sabia que ela seria
como eu quisesse e suportasse...Afinal, dor é dor...a diferença é como você a
sente, vivência e controla ela...e não o contrário...eu controlei bem essa dor.

06/10/2004 ás 6 e pouco da manhã...Na Partolândia.
No meio do chuveiro senti uma forte pressão no quadril, sentia minha bacia se
abrindo de tal maneira que me me veio na mente...Coloca o dedo na vagina.
Quando coloquei senti a cabeça de meu filhote coroando, só consegui rir, olhei
para o Tiago (que assustado me olhava em silêncio) e disse sorrindo:

- Chama a médica, ele ta nascendo, a bolsa estourou... rsrsrs...Vai, vai...

Estávamos sozinhos no quarto, pois era virada de lua e a casa estava cheia...
Ela avisou que a qualquer momento podia chamar, mas eu só quis vê-la na hora H.

Meu marido não sabia se corria, se ficava, o quê fazia...Até que correu pro corredor.
Voltou com a Enfermeira Obstetra, que por sinal estava admirada e me falou:
- Você não fez nenhum barulho, até tinha esquecido de vocês...rsrsrsr...
Eu disse que só queria vê-las naquela hora...rsrsrs...e foi o que fiz realmente...

Arrumaram a cama para um parto deitado, mas assim que vi o cano atravessado a
minha frente, grudei nele de cócoras e fiz força com vontade, muita vontade.
Elas me olhavam e ficavam curiosas, uma mulher de dreads, tatuagens e vontades.

Lembro de uma delas ficar me falando, deita, deita...e eu não ouvia...só me deixava ser 
levada pela força que tomara conta de meu corpo involuntariamente.

Após 3 longas forças de meu bebê e eu, finalmente olhei entre minhas pernas e vi...
Vi sua cabeçinha cheia de cabelo saindo por minha Shakti...Lindo...Lindo...

Sentia meu corpo abrindo passagem para aquele serzinho forte e corajoso que
terminava ali sua jornada rumo á luz divina...e como foi corajoso meu Zion.
Após sua cabeça sair, não sentia vontade de fazer força, e sim de esperar ele
literalmente escorregar levemente nas mãos da Flora (enf. obstetra)...

E assim que seus pezinhos saíram de meu corpo, pude chorar as lágrimas mais
lindas de toda minha vida...Lágrimas de contentamento que lavaram minha alma.
Assim que saio chorou e veio pro meu seio, bastou encostá-lo e ele agarrou como
se estivesse á séculos com fome...e devia estar...rsrsrs...Mamou o quanto quis...




Enquanto mamava, o pai todo orgulhoso cortava seu último vinculo com o útero. 
Ficamos os três ali, imóveis e encantados com tudo que tinha e estava acontecendo.
Quando enfim meu marido falou: - Ele tem seus olhos lindos Jú...Ele é lindo.

E eu pude ver o quanto parecia com nós dois, feito de nosso amor verdadeiro...
Mesmo sujinho, amassado e preguento...Era a criança mais linda de todo o mundo.
Aí foi só ficar ali namorando e lambendo a cria com cheiro de novinha em folha...rsrs.

Depois de 3 horas a enfermeira pediu pro papai sair pois tínhamos que tomar banho e
ser transferidos para o quarto coletivo do pós-parto...Onde só podiam ir as mamães...
Com um olhar triste e feliz vi meu amor ir embora...Ainda no quarto em que pari...

Aproveitei enquanto Zion dormia, levantei sozinha e fui direto pro chuveiro (meu querido amigo
 nas horas daquela noite mágica e intensa)...rsrsrs.
Após um longo e revigorante banho, me troquei e fui direto pegar meu filhote, que
estava tomando seu primeiro banho...chorava feito um hominho bravo...

E enquanto eu trocava ele, a auxiliar que me ajudava, me enchia de perguntas...

Por quê não quis deitar? Por quê tem esse cabelo? Por quê não gritou???...
Eu muito feliz explicava tudo, e mostrava que por mais “diferente” que eu era por fora...Por dentro era igual á todas as mulheres do mundo que acabara de parir.

Afinal, por quê deitar se a gravidade está pra baixo??? Por que ser igual se posso ser
eu mesma...e por que ser estática se posso ser mutável??? Eu sou eu nada + nem -.

Não sou mais que ninguém, não sou mais mãe por ter tido parto natural, não sou
perfeita em tudo...Mas sou forte o bastante pra lutar por meus direitos e sonhos...

E PARIR NATURALMENTE E COMO ESCOLHI, FOI MEU DIREITO...)O(...

Meu filhote nasceu ás 7:20 da manhã do dia 06/10/2004.
Pesava 3.115 e media 50 cm de pura gostosura...rsrsrs...
Apgar 9/10, meconio, xixi, sucção e sentidos normais e ativos.
E bota ativo nisso, o bichinho nasceu e grudou no peito com gosto.


Pena não ter tantas fotos quanto gostaria, papai se afobou...acontece!

28 de abr de 2011

Parto Sem Dor - você também pode!


Trechos do Livro da escritora, mãe de 5 fadas nascidas em casa naturalmente e a mais

nova blogueira que sigo...Maria do Sol.


Iluminando o caminho de outras que estão em busca do parto sem dor...Empoderem-se!!!


Figura de: Gustave Klimt - Mãe e Filho
Durante mais de um ano, que coincidiu com a gravidez de minha quinta filha, Pérola, escrevi sobre minha experiência como mãe e descrevi meus partos.
Como no último parto entrei em um processo rumo ao parto sem dor, que acreditava ser possível, e acabei vivenciando com sucesso um lindo parto sem dor, o livro acabou tomando um rumo diferente, que foi o de descrever como consegui atingir esta meta tão incrível com a certeza de que qualquer mulher que tenha saúde e deseje, pode ter um parto sem dor.
Meu livro atualmente encontra-se em fase de publicação, ou seja, estou à procura de uma editora para publicá-lo. Peço que, caso conheça alguma editora interessada no assunto, indiquem, pois a idéia é beneficiar mais pessoas com este material.


Enquanto isso, firmando a idéia inicial de ajudar às mulheres e crianças que estão chegando, por uma gravidez e maternidade mais felizes, estarei partilhando trechos do livro, segue o primeiro:

"Para muitas mulheres, descobrir-se grávida nem sempre é uma alegria de imediato. Acredito que esse luto seja inevitável e eu o senti em todas as gestações.
A chegada definitiva de outra vida traz consigo certo aprisionamento, ainda que carregado de alegrias. Na primeira gravidez esse sentimento pode ser ainda mais forte, pois a perda da individualidade é um passo duro para a maioria das mulheres dos tempos modernos, e isso é sentido principalmente após o nascimento do bebê.
Se éramos preparadas para a família no passado, hoje somos preparadas para adiar esse passo ao máximo, nos distanciando de qualquer preparação com relação a essa parcela da vida tão importante e bela, que carrega em si o presente e o futuro de uma humanidade sadia. A base da vida na Terra é a família.
Ter filhos em nossa sociedade atual traz no subconsciente idéias de aprisionamento a padrões dos quais todos tentamos fugir, resumidos na perda de controle. Sozinhos, temos a impressão de ter mais controle sobre nosso presente, dinheiro, atos, enfim, de nossa vida. É a era da individualidade.
Filhos, família, carregam em si a idéia de perda de controle, de doação em tempo integral, de aprisionamento a tarefas enfadonhas da realidade doméstica, de impossibilidade ou dificuldade de realização pessoal, de sucumbência a um homem, de monogamia tediosa ou de ser mãe solteira, de rotina, dor no parto e distanciamento dos padrões de beleza vendidos pela mídia.
Cada época traz consigo um estereótipo, um paradigma, e essas crenças todas são padrões dos quais certamente podemos e devemos abrir mão, procurando dentro de nós caminhos corajosos para a felicidade sempre, seja em nossas escolhas, seja no que o destino nos reservou.
Por conta desses paradigmas adiamos e adiamos, até que possamos sentir certo controle sobre a situação aparentemente apavorante para muitos, ainda que esse sentimento seja velado. Mulheres e homens estão se casando mais tarde, após terem conquistado estabilidade profissional e material para incluir o filho em mais um plano de controle. No entanto, por mais que se tente planejar e encaixar, um filho não é alguém estático e a vida não segue nossos planos: ela flui e acontece a cada dia.
Estar aberta a essa magia, procurando acertar e se melhorar sempre, vivendo sua vida agora, com amor, positivismo e entrega, é um caminho que tende muito mais a trazer o que, no fundo, todos procuramos: a felicidade.
Esther Hicks, em seu livro “Peça e Será Atendido”, escreveu sobre a definição de sucesso: “Uma vida feliz é apenas um colar feito de momentos felizes. A maioria das pessoas não se permite ter momentos felizes porque está muito empenhada em viver uma vida feliz”. *
Portanto, se você está grávida agora ou pretende engravidar, saiba que tudo vai depender da maneira como você se entregar ao presente e à sua força. Isso é que determinará seu destino, não o controle absoluto e amedrontado.
Muita coisa boa pode surgir com sua gravidez, do início ao fim, mas você precisa acreditar nisso primeiro, se entregar com dedicação total e enfrentar seus medos para superá-los, um a um. Afinal, nossa jornada neste plano terreno será sempre de crescimento e aprimoramento e trazer uma pessoa a este mundo não seria diferente."

Livro: Parto Sem Dor - Você Também Pode!

Autora: Maria do Sol

๖๔΅˚◦.Minha Arte.◦˚΅๖๔